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Descriptografando a Carta Rosa

2020.09.26 01:53 altovaliriano Descriptografando a Carta Rosa

Texto original: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-pink-lette
Autor: Cantuse
Partes traduzidas: 1) A Estrada Para Vila Acidentada, 2) Uma Aliança de Gigantes e Reis, 3) Despindo o Homem Encapuzado, 4) Confronto nas Criptas, 5) Tendências Suicidas
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OBS: Esta é a última parte que traduziremos por agora.
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O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO VII

Não há como negar que resolver o mistério da Carta Rosa é uma imbróglio complicado. Já existem dezenas de teorias.
Resolver esse mistério tem sido um dos grandes objetivos do Manifesto desde o início, e acho que fiz um bom trabalho de construção progressiva até este ponto.
NOTA: O ideal era que você tivesse lido todos os ensaios até este ponto, mas se você insiste em ler assim, eu sugiro que pelo menos você leia Confronto nas Criptas e Tendências Suicidas primeiro.
Vamos direto ao assunto. Neste ensaio, estou apresentando os seguintes argumentos.
À luz das muitas teorias anteriores estabelecidas aqui no Manifesto, podemos desenvolver um entendimento muito convincente da chamada Carta Rosa e do que ela realmente diz.
[...]

A CARTA ROSA

Esta seção é apenas uma recapitulação da carta, seu texto e as várias outras características que possui.
Coloco esta seção aqui como uma referência fácil durante a leitura deste ensaio.

O texto

Seu falso rei está morto, bastardo. Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha. Estou com a espada mágica dele. Conte isso para a puta vermelha.
Os amigos de seu falso rei estão mortos. Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell. Venha vê-las, bastardo. Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha. Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Terei minha noiva de volta. Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras. A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor. Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Estava assinado:
Ramsay Bolton
Legítimo Senhor de Winterfel
(ADWD, Jon XIII)

A descrição da carta

Bastardo, era a única palavra escrita do lado de fora do pergaminho. Nada de Lorde Snow ou Jon Snow ou Senhor Comandante. Simplesmente Bastardo. E a carta estava selada com um pelote duro de cera rosa.
Estava certo em vir imediatamente – Jon falou. Está certo em ter medo.
(ADWD, Jon XIII)

DIFICILMENTE O BASTARDO

Acho que já fiz um argumento convincente de que Mance Rayder está disfarçado de Ramsay Bolton (veja o Confronto nas Criptas).
Mas tenho certeza de que os leitores apreciariam pelo menos uma rápida avaliação das muitas outras razões pelas quais não acredito que a carta possa ser de Ramsay.
Especificamente, esta seção está identificando maneiras pelas quais a carta é incoerente com o que sabemos sobre Ramsay. Não acredito que nada disso por si só desqualifique Ramsay como autor, mas coletivamente elas geram grandes dúvidas.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

Falta o botão

Todas as cartas anteriores de Ramsay foram seladas com "botões" bem formados de cera:
Empurrou o pergaminho, como se não pudesse esperar para se ver livre dele. Estava firmemente enrolado e selado com um botão de cera dura rosa.
(ADWD, A noiva rebelde)
Clydas estendeu o pergaminho adiante. Estava firmemente enrolado e selado, com um botão de cera rosa dura.
(ADWD, Jon VI)
A Carta Rosa é lacrada com "pelote duro de cera rosa", uma discrepância notável.

Cabeças na Muralha

Enfiar cabeças em lanças parece um tanto incoerente com o estilo pessoal de Ramsay e com os maneirismos de Bolton observados a esse respeito: esfolar ou enforcar.

Sem pele ou sangue

Um dos artifícios mais conhecidos de Ramsay é o envio de mensagens escritas com sangue e com pedaços de pele anexados.
Não há menção de sangue usado como tinta, nem está implícito, como ocorre em outras cartas que parecem ser dele. Definitivamente, não há menção a um pedaço de pele, o que é estranho, considerando que Ramsay afirma ter Mance Rayder e todas as seis esposas de lança ... certamente uma delas poderia fornecer um pouco de pele.

Como Ramsay saberia?

Por que Ramsay pede Theon a Jon ?
Se Theon foi entregue a Stannis, e Stannis tinha toda a intenção de matá-lo, por que Ramsay acreditaria que Theon está agora com Jon?
Nem mesmo Mance Rayder saberia disso.
Além disso, “Arya” foi entregue a Stannis também, via Mors Papa-Corvos.
Por que ele acreditaria que Arya está com Jon?
Se todo a hoste de Stannis foi realmente destruída, você deve se perguntar onde Ramsay ficou sabendo destes detalhes, principalmente com relação a Theon.
É uma suposição sensata pensar que Stannis pode enviar "Arya" de volta a Castelo Negro (na verdade, foi o que Stannis faz), mas mesmo uma formação primária em inteligência [militar] torna óbvio que Theon seria de grande valor estratégico em uma batalha contra Winterfell, mas em nenhum outro lugar.
Uma pessoa pode então arguir que isso só pode significar que o corpo de Theon não foi descoberto entre os mortos. No entanto, dadas as condições meteorológicas, essa provavelmente é uma tarefa impossível de realizar. Portanto, Ramsay não teria nenhuma base e nenhuma confiança para pensar que Jon tinha Theon em absoluto.

ENDEREÇADO À MULHER VERMELHA

No início deste ensaio, declarei que a Carta Rosa se destinava especialmente a Melisandre. Preciso lhes dar as evidências. Tanto aquelas dedutivas (ou razoáveis), quanto aquelas que estão implícitas ou que foram estabelecidas daquele jeito inteligente e sutil que Martin faz com frequência.

Missão de Mance

Como já estabeleci no Manifesto, a missão de Mance baseava-se em saber onde seria o casamento de Arya.
Assim, quando Jon recebeu seu convite de casamento, Mance deveria partir para Vila Acidentada.
Jon acidentalmente recebeu o convite enquanto estava no pátio de treinamento, lutando com Mance disfarçado de Camisa de Chocalho. Assim, Mance foi capaz de simplesmente ouvir o local. Mas não podemos presumir que Mance e Melisandre apostaram tudo em terem a sorte de ouvir qual seria o local.
Uma dedução simples conclui que Mance era capaz e estava determinado a ler as cartas no quarto de Jon até que surgisse a localização.
NOTA: Se esta explicação parece insuficiente, eu apresento o argumento por completo em um ensaio anterior A estrada para Vila Acidentada.
Isso também significa que o convite não era realmente para Jon, mas sim para Melisandre e Mance, como um 'gatilho' para o início de sua missão. Novamente, eu explico a base para essas conclusões no ensaio mencionado acima.
Isso estabelece o precedente de que as mensagens enviadas para Castelo Negro podem, de fato, ter a intenção de se comunicar secretamente com Melisandre.

Ratos Cinzentos

Aqui há um exemplo de Martin possivelmente invocando um dispositivo que é sua marca registrada: enterrar recursos de enredo relevantes para uma história em outra, geralmente via metáforas ou alegorias inteligentes.
Três citações devem ser suficientes para você entender (em negrito, para dar ênfase nas partes principais):
Três deles entraram juntos pela porta do senhor, atrás do palanque; um alto, um gordo e um muito jovem, mas, em suas túnicas e correntes, eram três ervilhas cinza de uma vagem negra.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Se eu fosse rainha, a primeira coisa que faria seria matar todos esses ratos cinzentos. Eles correm por todos os lados, vivendo dos restos de seus senhores, tagarelando uns com os outros, sussurrando no ouvido de seus mestres. Mas quem são os mestres e quem são os servos, realmente? Todo grande senhor tem seu meistre, todo senhor menor deseja ter um. Se você não tem um meistre, dizem que você é de pouca importância. Esses ratos cinzentos leem e escrevem nossas cartas, principalmente para aqueles senhores que não conseguem ler eles mesmos, e quem diz com certeza que eles não estão torcendo as palavras para seus próprios fins? Que bem eles fazem, eu lhe pergunto.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Lorde Snow. – A voz era de Melisandre.
A surpresa o fez afastar-se dela.
Senhora Melisandre. – Deu um passo para trás. – Confundi você com outra pessoa.À noite, todas as vestes são cinza. E subitamente a dela era vermelha.
(ADWD, Jon VI)
A noção de que todos os mantos são cinza parece equivocada: Melisandre equivale a um meistre .
O que é verdade em muitos sentidos: ela é definitivamente uma conselheira de Stannis e 'sussurra' em seu ouvido. E talvez o mais notável seja o fato de que muitos questionam quem realmente está no comando: Stannis ou sua mulher vermelha?
Quando você vê esses paralelos, a alusão a ela usar vestes cinzas tem uma conexão forte e interessante com o conceito de cartas em que alguém está 'torcendo as palavras'.
Afinal, eu dei argumentos convincentes de que o convite de casamento de Jon era para Mance e Melisandre e foi enviado por Mors Papa-Corvos. Alguém contestaria a noção muito razoável de que outras cartas seriam igualmente confidenciais?
Outra coisa engraçada sobre essa ideia é que Melisandre literalmente distorce as palavras para seus próprios propósitos:
O som ecoou estranhamente pelos cantos do quarto e se torceu como um verme dentro dos ouvidos deles. O selvagem ouviu uma palavra, o corvo, outra. Nenhuma delas era palavra que saíra dos lábios dela.
(ADWD, Melisandre)

Uma bela truta gorda

Há um outro elemento temático que sugere que as cartas podem possuir conteúdos secretos, uma característica interessante atribuída a duas cartas diferentes em As crônicas de gelo e fogo.
A primeira carta é a de Walder Frey, enviada a Tywin após o Casamento Vermelho:
O pai estendeu um rolo de pergaminho para ele. Alguém o alisara, mas ainda tentava se enrolar. “A Roslin pegou uma bela truta gorda”, dizia a mensagem. “Os irmãos ofereceram-lhe um par de pele de lobo como presente de casamento.” Tyrion virou o pergaminho para inspecionar o selo quebrado. A cera era cinza-prateada, e impressas nela encontravam-se as torres gêmeas da Casa Frey.
O Senhor da Travessia imagina que está sendo poético? Ou será que isso pretende nos confundir? – Tyrion fungou. – A truta deve ser Edmure Tully, as peles…
(ASOS, Tyrion V)
A segunda é a carta ostensiva que Stannis escreveu a Jon Snow enquanto estava em Bosque Profundo. Não vou citar a carta (é um texto imenso), apenas um elemento da descrição:
No momento em que Jon colocou a carta de lado, o pergaminho se enrolou novamente, como se ansioso para proteger seus segredos. Não estava seguro sobre como se sentia a respeito do que acabara de ler.
(ADWD, Jon VII)
O que estou tentando apontar aqui é que a primeira mensagem de Walder Frey definitivamente tinha uma mensagem inteligentemente escondida. E por alguma razão, Martin decidiu mostrar que a carta 'queria' enrolar-se novamente.
A segunda mensagem também quer enrolar-se e, se você a ler com atenção, há um grande número de coisas que são totalmente incorretas ou atípicas em relação a Stannis nela. Cavaleiros homens de ferro? Execução por enforcamento?
Já tomei a liberdade de esquadrinhar tortuosamente os livros e não consigo encontrar de pronto outros exemplos em que as cartas foram personificadas dessa maneira.
Junto com os pontos anteriores, este não reforçaria a ideia de que Melisandre (e Mance por um tempo) está recebendo mensagens camufladas enquanto está em Castelo Negro?

Carta de Lysa

Outra indicação de que tais 'cartas codificadas' não são incomuns é que uma das primeiras cartas que vimos nos livros era uma: a que Catelyn recebe de Lysa.
Seus olhos moveram-se sobre as palavras. A princípio pareceu não encontrar nenhum sentido. Mas depois se recordou.
Lysa não deixou nada ao acaso. Quando éramos meninas, tínhamos uma língua privada.
(AGOT, Catelyn II)
* * \*
Deve ser apontado que isso também faz sentido de uma perspectiva puramente lógica. Como já argui veementemente que Stannis, Mance e Melisandre conspiraram juntos, faria sentido que todas as partes precisassem ser capazes de se comunicar de uma forma que protegesse a referida conspiração.
Nesse ponto, tal tipo de carta constitui a opção mais adequada, como mostram as cartas de Walder Frey e Lysa Tully.
Esse tipo de proteção de carta – enterrar uma mensagem secreta em outra mensagem, de modo que não possa ser detectada – é conhecido como esteganografia.
A Dança dos Dragões faz de tudo para educar os leitores de que nem sempre se pode confiar nos meistres com segredos: ouvimos isso de Wyman Manderly e Barbrey Dustin. No entanto, se um rei ou outro oficial escrever suas cartas com mensagens secretas esteganográficas, os verdadeiros detalhes serão ocultados até mesmo dos meistres. Na verdade, foi exatamente isso que observamos na carta de Walder Frey a Tywin Lannister.
Meu objetivo final neste ensaio é convencê-lo de que a Carta Rosa é uma mensagem esteganográfica de Mance Rayder para Melisandre. A forma como foi escrita esconde seus segredos de qualquer meistre (ou Jon Snow) que tente interpretá-la.
A principal desvantagem de tentar decifrar qualquer mensagem esteganográfica é esta:
Por que eles não encontraram nada? Talvez eles não tenham procurado o suficiente. Mas há um dilema aqui, o dilema que capacita a esteganografia. Você nunca sabe se há uma mensagem oculta. Você pode pesquisar e pesquisar, e quando não encontrar nada, você pode apenas concluir “talvez eu não procurei com atenção”, mas talvez não haja nada para encontrar.
ESTRANHOS HORIZONTES, ESTEGANOGRAFIA: COMO ENVIAR UMA MENSAGEM SECRETA
Isso significa que a única maneira real de provar a você que Mance escreveu a Carta Rosa é se eu conseguir encontrar uma tradução irresistivelmente convincente de qualquer conteúdo secreto que ela possa ter.
E mesmo assim você pode argumentar que não é verdade. Embora eu espere que você não diga isso quando terminar este ensaio.

Querida Melisandre

Além de todos os pontos acima, Melisandre consegue tornar tudo ainda mais explícito. Antes da chegada da Carta Rosa, Melisandre diz:
Todas as suas perguntas serão respondidas. Olhe para os céus, Lorde Snow. E, quandotiver suas respostas, envie para mim. O inverno está quase sobre nós. Sou sua única esperança.
(ADWD, Jon XIII)
Isso parece enfaticamente dizer a Jon que ela quer vê-lo depois que a carta chegar.
Observe como ela está lá quando Jon decide ler a carta em voz alta no Salão dos Escudos. Eu sei que isso parece um detalhe trivial, mas considere que ela não apareceu antes do início da reunião e que ela desapareceu quase imediatamente após Jon terminar.
Isso está relacionado à principal preocupação que a vemos expressar em sua conversa com Jon antes da chegada da carta: abandonar a caminhada para resgatar os que estavam em Durolar.
Mas por que?
Este é um ponto que revelarei mais tarde no Manifesto. Por enquanto, deve bastar saber que Melisandre queria ver ou ouvir o conteúdo dessa carta.

VERNÁCULO SELVAGEM

Nas próximas duas seções, demonstrarei por que a Carta Rosa foi escrita por Mance. Esta primeira seção consiste em detalhes o que vemos no texto, a linguagem usada e assim por diante.
Em particular, existem frases que são bastante específicas para Mance (ou que excluem Ramsay), e também detalhes que são específicos para a conspiração Mance-Melisandre.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

“Falso Rei”

Esta frase é especificamente o que Melisandre usa para se referir a Mance Rayder, ela o chama de falso rei duas vezes. Quase não aparece em nenhum outro lugar em A Dança dos Dragões , a exceção sendo uma instância onde Wyman Manderly declara Stannis um falso rei.

“Corvos Negros”

Os selvagens são as únicas pessoas que usam os termos corvo ou corvo negro em um sentido depreciativo.
A única exceção a isso é Jon Snow (o que é interessante), quando ele está tentando convencer o povo livre.

“Princesa Selvagem” e “Pequeno Príncipe”

O termo princesa selvagem abunda na Muralha, uma invenção dos irmãos negros que então se espalhou entre os homens da rainha.
O pequeno príncipe foi especificamente apresentado na Muralha, primeiro por Melisandre e depois por Goiva:
Melisandre tocou o rubi em seu pescoço. – Goiva está amamentando o filho de Dalla, além do seu próprio. Parece cruel separar nosso pequeno príncipe de seu irmão de leite, senhor.
(ADWD, Jon I)
Faça o mesmo, senhor. – Goiva não parecia ter nenhuma pressa em subir na carroça. – Faça o mesmo pelo outro. Encontre uma ama de leite para ele, como disse que faria. Prometeu-me isso. O menino... o menino de Dalla... o principezinho, quero dizer... encontre uma boa mulher pra ele, pra que ele cresça grande e forte.
(ADWD, Jon II)
Embora uma pessoa possa pensar que Melisandre está sugerindo de maneira sutil que sabe sobre a troca do bebê, isso não fica claro. O trecho sobre Goiva certamente deixa isso explícito.
O verdadeiro ponto aqui é que a terminologia aqui só foi vista antes na Muralha. Além disso, uma vez que nem Val nem o filho de Mance são verdadeiramente da realeza, não faz muito sentido que Mance ou qualquer uma das esposas de lança digam que são, mesmo que sob tortura.

Para que todo o Norte possa ver

O autor afirma que tem Mance Rayder em uma jaula para que todo o Norte possa ver.
Mance disse algo muito semelhante a Jon anteriormente:
Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)

INCLINAÇÃO PARA A SAGACIDADE

Além dos vários atributos já citados que favorecem Mance como autor, há um que se sobressai a todos:

Disfarçado de Camisa de Chocalho

Observe:
Vou patrulhar para você, bastardo – Camisa de Chocalho declarou. – Darei conselhos sábios, ou cantarei canções bonitas, o que preferir. Até lutarei por você. Só não me peça para usar esse seu manto.
(ADWD, Jon IV)
É muito difícil negar que esta não seria uma grande alusão ao próprio Mance em quase todos os detalhes. É tão certeiro que estou surpreso de que Melisandre ou Stannis não o tenham repreendido ou o mandado calar a boca.
Stannis queimou o homem errado.
Não. – O selvagem sorriu para ele com a boca cheia de dentes marrons e quebrados. – Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)
Esta é uma maneira inteligente de sugerir que Stannis queimou o Camisa de Chocalho verdadeiro no lugar de Mance, apenas porque o mundo precisava ver Mance morrer, não porque os crimes de Mance justificassem a execução.
Eu poderia visitar você tão facilmente, meu senhor. Aqueles guardas em sua porta são uma piada de mau gosto. Um homem que escalou a Muralha meia centena de vezes pode subir em uma janela com bastante facilidade. Mas o que de bom viria de sua morte? Os corvos apenas escolheriam alguém pior.
(ADWD, Melisandre)
Como observei em outro ponto do texto, muito provavelmente se esperava que Mance subisse aos aposentos de Jon e lesse suas cartas, se assim fosse necessário para descobrir o local do casamento. Portanto, esta passagem parece ser uma dica engraçada de que ele pode ter estado nos aposentos de Jon, sem nunca tê-lo matado.

Disfarçado de Abel

O apelido de Mance por si só é uma pista inteligente, mas ele dá um passo além em muitos aspectos ao se passar por Abel.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Aparentemente, muito pouco se sabe sobre a música. No entanto, um exame cuidadoso de um capítulo em A Tormenta de Espadas revela o primeiro verso da música (pelo menos na minha opinião):
– Vou à Vila Gaivota ver a bela donzela, ei-ou, ei-ou...
Co’a ponta da espada roubarei um beijo dela, ei-ou, ei-ou.
Será o meu amor, descansando sob a tela, ei-ou, ei-ou.
(ASOS, Arya II)
Uma escolha de música inteligente considerando sua inspiração em Bael, o lendário ladrão de filhas que se escondeu nas criptas Stark.
O mesmo poderia ser dito sobre a deturpação de “A Mulher do Dornês” quando ele mudou a letra para ser sobre a “filha de um nortenho”.
Além disso, há ocasiões em que ele toca uma música “triste e suave”, que já demonstrei ser um sinal para as esposas de lança.

UMA TRADUÇÃO LINHA-A-LINHA

Essa é a parte essencial do texto. Vou percorrer toda a Carta Rosa e explicar o que ela realmente diz. Lembre-se de que você deve ter chegado a este ponto no Manifesto tendo lido os textos anteriores, o que significaria que você já assumiu as seguintes premissas (ou pelo menos suspendeu sua descrença sobre elas):
Há apenas uma nova suposição que eu gostaria de fazer, uma bem sensata:
Mance saber esse único detalhe fornece uma pista impressionante para decifrar a Carta Rosa.
Agora vamos lá...

Primeiro parágrafo

Seu falso rei está morto, bastardo.
Isso significa que Stannis fingiu sua morte.
Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha.
Isso diz mais ou menos a mesma coisa. Eu acredito que diz ainda mais, mas vou guardar para mais tarde.
Estou com a espada mágica dele.
Como parte da simulação de sua morte, a Luminífera de Stannis será levada para "Ramsay". Isso permite que os Boltons concluam que Stannis está morto, apesar haver uma quantidade limitada de outras evidências sobre isso.
Conte isso para a puta vermelha.
Literalmente, isso está instruindo Jon a contar a Melisandre. É muito interessante que Melisandre tenha implorado a Jon para 'envia-a para mim' depois de ler a carta, e o autor da carta está sugerindo exatamente a mesma coisa.
Coletivamente, o primeiro parágrafo parece um resumo dos principais detalhes: está dizendo que Stannis fingiu sua morte, provavelmente ganhou a batalha, mas que os Boltons estão convencidos da própria vitória. É muita informação de inteligência transmitida em um único parágrafo.
A linha sobre a espada é o que eu acredito ser um sinal a Melisandre para que começasse quaisquer próximos passos que ela tenha em mente (que serão discutidos posteriormente neste Manifesto).

Segundo parágrafo

Os amigos do seu falso rei estão mortos.
Isso significa que os aliados de Stannis também estão fingindo morte. Muito provavelmente, isso significa as tropas daqueles que viajam com Stannis. Por exemplo, Mors Papa-Corvos e seu bando de meninos verdes.
Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell.
Usar 'sobre' no sentido de estar perto de algo, isso significa que Mors está nas redondezas de Winterfell.
Venha vê-los, bastardo.
Esta é uma das várias provocações da carta, embora implique que Jon deveria viajar para Winterfell.
Seu falso rei mentiu, e você também. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha.
[na versão brasileira, a frase começa com “Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você”, uma tradução errada do texto original]
Este é o início do anúncio de que Mance Rayder está vivo. A parte em que o autor diz 'Você disse ao mundo' é muito semelhante ao que Mance disse a Jon: “Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.” (ADWD, Jon VI)
Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Isso informa Jon e Melisandre que Mance terminou em Winterfell. Isso é importante porque, se você se lembra, Mance partiu originalmente para Vila Acidentada. Esta linha, portanto, confirma para onde Mance foi. Também revela que o autor conhecia a missão de Mance.
No todo, o parágrafo parece sugerir que Jon ou alguém precisa se juntar a Mors do lado de fora de Winterfell.
Este parágrafo declara ainda que Jon quebrou seus votos ajudando Stannis e Mance na tentativa de roubar Arya Stark. Isso é interessante porque Jon de fato não queria fazer isso, ele apenas queria resgatar Arya na estrada, presumindo que ela já tivesse escapado. O fato de a carta declarar esses detalhes mostra um esforço calculado para minar a honra e a legitimidade de Jon.

Terceiro parágrafo

Terei minha noiva de volta.
Isso nos diz claramente que “Arya” foi resgatada.
Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras.
Isso requer uma perspicaz (porém, simples) interpretação da falsa execução do próprio Mance.
Se assumirmos que minha teoria no Confronto nas Criptas está correta, duas observações podem ser feitas:
O acréscimo de ' prova de suas mentiras ' indica que Ramsay não está sob a magia de disfarce e, portanto, caso ele seja encontrado, isso arruinaria o truque.
Tudo isso somado, a implicação da frase dupla:
A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Esta é uma referência à maneira como Melisandre disse que as seduções [glamors] funcionam: vestindo-se a sombra de outra pessoa como capa. Também parece uma possível alusão a usar a pele de outra pessoa, de acordo com o conto de Bael, o Bardo.
Na íntegra, o terceiro parágrafo parece deixar uma mensagem de que Mance conseguiu se disfarçar de Ramsay, que Ramsay está vivo como um prisioneiro nas criptas e que ninguém parece saber disso. Também pode significar que nenhuma das esposas de lança traiu seu segredo.

Quarto parágrafo

Ao contrário dos parágrafos anteriores, acredito que o quarto parágrafo é direcionado diretamente a Jon Snow. Melisandre pode saber o segredo por trás de seu conteúdo, mas este parágrafo foi elaborado para ter um efeito específico sobre Lorde Snow.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor.
Essas frases apresentam uma lista de demandas, muitas das quais Jon não tem capacidade de cumprir. Ele não tem permissão para enviar Selyse, Shireen, Melisandre, Val ou o filho de Mance para Winterfell.
Além disso, ele não tem ideia de quem é Fedor.
E independentemente da identidade de Ramsay (o real ou o disfarçado), ambos saberiam que Jon não tem ideia de quem é Fedor.
Esses pedidos colocaram Jon em uma posição tênue. A carta declara abertamente que Jon violou seus juramentos à Patrulha da Noite, participou de uma mentira quando colaborou para resgatar Arya usando Mance, o que também beneficiou a causa de Stannis.
Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Esta ameaça sugere fortemente que Jon precisa cooperar ou ele será atacado. Considerando que os Boltons são aliados dos Lannisters, é razoável concluir que os Boltons também usariam a oportunidade para destruir as forças de Stannis em Castelo Negro e fazer muitos reféns.
A carta deixa claro: o envolvimento de Jon com Mance e Stannis resultou em uma ameaça à Muralha, à Patrulha da Noite e à família de Stannis e ao assento de poder.
Jon é então forçado a um dilema:
Em ambos os casos, ele está ferrado e proscrito como um violador de juramentos.
Então, por que Mance enviaria uma linguagem tão provocativa para Jon e Melisandre?
A resposta deriva de vários fatos, alguns dos quais serão discutidos posteriormente no Manifesto. Mas a resposta simples é esta:
O que posso dizer neste momento é que Mance, Melisandre e Stannis sabem que Jon estava disposto a violar seus votos quando era necessário servir à Patrulha da Noite (e por extensão aos sete reinos).
Forçando Jon a se tornar um violador de juramentos, Melisandre e Stannis são capazes de usá-lo de outras maneiras, particularmente de maneiras que não envolvem sua permanência na Patrulha.
Com que propósito Stannis e Melisandre usariam Jon Snow, o violador de juramentos?
Infelizmente para Jon, ele mesmo forneceu a Stannis o motivo para 'roubá-lo' da Patrulha da Noite.
Explicar melhor isso é um dos pontos principais do Volume III do Manifesto.

CONCLUSÕES

A carta como um todo parece ser coerente com as teorias que descrevi até agora, particularmente com o resultado do ‘confronto nas criptas’.
Como discuto nos apêndices, também é coerente com algumas interpretações reveladoras das visões de Melisandre.
Obviamente Melisandre acreditava que a Carta Rosa responderia às perguntas de Jon sobre Stannis, Arya e Mance, e a carta o fez. Ela pensou que isso o obrigaria a confiar nela.
Embora a Carta Rosa tenha respondido suas perguntas, ele ignorou tanto a carta quanto Melisandre quando se recusou a procurá-la e agiu por conta própria. Acredito que isso se deva em grande parte ao fato de ele não perceber que havia segredos no texto; ele entendeu a carta pelo significado literal.
Existem algumas grandes questões que permanecem abertas:
Além disso, parece que Melisandre queria um ou ambos das seguintes coisas:

IMPLICAÇÕES

As perguntas e conclusões que podemos fazer parecem sugerir que chegamos a um beco sem saída. De fato, se continuarmos a tentar entender as coisas pelo ângulo de Mance Rayder, será.
Se dermos um passo para trás e começarmos a investigar algumas das outras pistas, preocupações e mistérios em A Dança dos Dragões, surgem novas ideias que nos levam de volta a Mance e Stannis.
Para aguçar seu apetite, aqui estão as questões importantes, antes de avançarmos para o próximo volume do Manifesto:
Essas e outras perguntas são respondidas no próximo volume do Manifesto, ‘O Reino irá Tremer’.
E, finalmente, para terminar com algum floreio, aqui está uma passagem de A Dança dos Dragões:
O Donzela Tímida movia-se pela neblina como um homem cego tateando seu caminho em um salão desconhecido.
(ADWD, Tyrion V)
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2020.07.18 08:30 rafaspbarbie A AMANTE.

Oi genty, povo tudo vocês, Lubisco, gatitas, editores, turma, galero, convidado não por que né QUARENTENA, mds to nervouser. Essa história é a história de como eu virei a amante de um cara. Como é uma história anônima, vou mudar os nomes tudo. Se preparem pois ela é looooonga
Bom, em meados de 2016, tinha voltado a estudar na Tijolinhos (nome fictício de uma escola particular em Brotas-SP) depois de repetir de ano e tal. Lá conheci a Joséfa, que virou minha melhor amiga pra vida (ou não, né?), e desse rolê todo boa parte foi culpa dela (TÔ DE OLHO JOSÉFA). Um lindo dia na escola, tava eu lá, com vontade de fazer pipi, ou só me olhar no espelho pra ver o quão bonitona eu tava, e quando tava descendo eu vi ELE, Pablo, na sua escadinha de técnico de Wi-Fi, skksksksksks ele era lindimais (bom, eu achava né) e daí eu passei por ele, trocamos olhares bem calientes, mas ficou por isso.
Logo de noite ele me adicionou no SNAP, sim, snapchat. E trocamos muita ideia, ele era muito inteligente e a gente combinava em muitos aspectos, tava xonadinha. Depois de uns dias conversando com ele, o mesmo apareceu na escola de novo, E DAÍ QUE COMEÇA A MERDA. Estava sentada com Joséfa e comentei:
Na hora eu mandei mensagem pra ele falando um monte de coisa, que era um absurdo ele namorar e falar comigo daquela forma, insinuando coisas, falando pra gente ficar e tal e que eu seria só amiga dele a partir daquilo, AHAM.
Daí entra a parte importante da Joséfa na história. A doida nada mais nada menos me chamou pra fazer vôlei com ela, e eu fui, tinha dois horários, o das kids e dos adultos, íamos nos dois. Fomos no primeiro horário, e partimos pro segundo logo em seguida. Então tava eu lá, linda e plena mexendo no celular e daí a anta da Joséfa começa a dar risada olhando pra longe, eis que me vem à imagem de quem? PABLO. Ela já sabia que ele fazia vôlei, acho que ela queria ver o circo pegar fogo, MESMO. Ele me cumprimentou todo sem graça, mas sempre trocando olhares comigo do tipo "te quero" e eu me segurando pra não pular nele ali mesmo. A gente continuou conversando normalmente, mas havia um flerte sim, mesmo que muito inocente.
Mais pra frente, decidi chamar ele pra conversar, falar pra ele que eu estava gostando dele de verdade, combinamos de conversar depois do vôlei e ele me daria uma carona até a casa dele. A conversa foi basicamente os dois se olhando na maior vontade, eu falando que gosto dele, ele retribuindo, mas também falei que não faria nada em respeito a namorada, AHAM². Durante a conversa teve troca de carícias, muitos abraços, carinhos e olhos nos olhos. Quando íamos pro estacionamento pegar a moto dele, ele me levou para um canto escuro e tentou me beijar, mas dei um abraço porquê não tava me dando por vencida. Quando subimos na moto, ele me disse que ia passar na casa dele pra pegar o carro pois seria mais confortável pros dois (o que ia ser mais confortável hein, Sr. Pablo?!), mas que não era pra me preocupar pois não teria ninguém em casa... MAS TINHA! A família toda dele tava lá, mãe, padrasto, irmãos.. entrei lá com a maior vergonha, ainda tive que ouvir do irmão "quem é essa menina estranha?" Fui pro QUARTO dele, sentei lá na cama e fiquei um tempo ali absorvendo tudo, enquanto ouvia ele falando com a mãe sobre mim, "apenas uma amiga"... sei (foi exatamente o que a mãe dele disse, não tínhamos muita credibilidade). Fomos pra minha casa e ele tentou me beijar de novo, mas não rolou, ainda achava que não daria o gostinho pra ele.
Continuamos conversando e tendo uma relação bem inocente, e era muito bom, confesso. A gente ainda ia no vôlei, ele me dava caronas, era bem discreto e bom, como aqueles romances dos anos 50 que não havia nem beijo, o sentimento se mostrava em outras demonstrações, no carinho, no toque, nas conversas, nos olhares e era bem assim, me vendo por fora da cena, veria uma garota com cabelos aos ventos sorrindo na garupa de uma moto abraçada em um cara que a fizesse sentir o amor, o vento, borboletas no estômago uma primeira vez.
Eu, Joséfa e Pablo descobrimos que teria uma chuva de meteoros na madrugada de quarta pra quinta, nos animamos muito pra ir, mas no fim iria só eu e ele... era o que eu achava, né? (Só pra constar, não havíamos beijado ainda.) Bom, ele me buscou em casa, fomos pra casa dele buscar cobertores e nisso ele me deu uma camiseta (que eu tenho ate hoje) de unicórnio. Com isso ele me disse que umas pessoas iam junto, fiquei meio assim, mas se não tinha problema pra ele, por que teria pra mim? Só que essas pessoas eram o que? A FAMÍLIA DELE. Primos, tios, tia avó (que aliás, gostou muito de mim) muitos deles achavam que eu era a namorada dele mesmo, pois estávamos muito próximos já. Durante a chuva eu só conseguia olhar pra ele, muitas das vezes ele me fazia olhar pras estrelas (não é atoa que eu o chamo de "Sr. das estrelas"), esperando algum meteoro cair, mas eu não vi nenhum. Enquanto estávamos lá, com a família dele, a gente se acariciava, ele me dava selinhos e eu juro que podia ser só isso pro resto dos meus dias com ele, pra mim estava perfeito. Fomos embora, levamos um dos tios dele pra casa, nisso ele me pergunta se eu queria ir embora já, obviamente disse que não.
Fomos para uma parte onde dava pra olhar bem as estrelas, mas naquele dia eu tava cansada de olhar pra elas. Nós paramos o carro e, naquele momento tudo parecia em câmera lenta, de olhar um para o outro, como tirar o cinto e até na hora do (finalmente) beijo. Sim, naquele momento eu virei A Amante. O beijo foi incrível, tudo se encaixou, foi o melhor beijo da minha vida até hoje, tínhamos química, minha pele se arrepiava só dele me tocar, era tudo como um conto de fadas, só que sem a parte do príncipe encantado.
Eu vivia com ele, vivia na casa dele, assistimos vários filmes, passamos por lugares incríveis, daqueles que faziam a gente suspirar e não querer parar de olhar. Cada vez mais eu me apaixonava, ele me fez sentir coisas que eu nunca senti, me fez ver coisas que eu nunca vi, me fez me maravilhar com as coisas simples, como estrelas. Mas eu sempre ouvia dele que ele sempre era o coitado, de como a Jurema (a tal da namorada) era ruim com ele, das vezes que ela traiu ele, das vezes que ela o tratou mal, mas mal sabia Jurema o que ele fazia também, mal sabia ela o quanto eu me sentia mal por isso. Sempre coloquei na minha cabeça que não tinha motivos para trair, mas que eu me conformei com a situação, achei que, dessa vez, tava tudo bem, até porquê eu tinha ele, né?
Como o tempo, tudo se passava, ele me fazia promessas, me prometia terminar com Jurema, que seríamos felizes, ja estava enjoada de ser rotulada como A Amante, não só por mim, mas por ele, por Joséfa também (que passou vários momentos de vela entre eu e Pablo). Numa dessas fui até na casa da avó dele, joguei truco com sua família, beijei ele na frente deles, (um deles lembra de mim até hoje, fala comigo como se eu fosse a ex oficial dele kkkk). Numa outra saímos com um dos seus amigos, nesse dia descobri que a nossa música era aquela lá, a tal da Cataflor do Tiago Iorc, aquela que toda vez que ouço lembro do dia em que eu ouvi pela primeira vez. Esse tal dia estávamos eu e Pablo em sua casa quando ele recebe uma ligação do seu amigo falando que ele queria vê-lo, Pablo falou que estava com uma "amiga" e esse amigo, o Gerson, disse que tudo bem eu ir junto. Entramos no carro, cumprimentei ele, e logo ligamos o som do carro ouvindo Tiago Iorc num tom bem doce, todos cantando e, no momento que esta começou a tocar, ele segurou a minha mão e disse:
-Ok.
Nisso começa a letra, não era atoa que eu me apaixonei, um cara que disse que me daria todas as flores no mundo mas que nenhuma delas chegava a ter a beleza que eu tinha, que a natureza tentou imitar 'tamanha' beleza mas que falhou, pois não tinha como ter algo tão bonito quanto. Como eu não me apaixonaria? Eu também não sei responder essa.
Logo após um tempo, comecei a cobrar o término dele e ele sempre me dizia que era muito difícil, pois era um relacionamento muito longo (3 anos). Pois bem, um mês depois disso ele terminou, viajou pra cidade dos primos dele, foi em várias festas, beijou várias meninas e depois que voltou, me buscou em casa, fomos pra um dos "nossos" lugares, ele sentou comigo e me contou tudo, das meninas, de quem ele teria ficado, como que ele estava amando ser solteiro e tudo mais. A ficha não tinha caído, ele realmente estava solteiro, não devia mais nada à ex, mas ao mesmo tempo parecia que ele não devia nada à mim também, que o cara que falava aquelas coisas, me fazia sentir aquelas coisas e falava que era apaixonado por mim havia sumido junto com o término dele. E. ISSO. DOEU. MUITO. Ficamos naquele dia, mas eu fiquei extremamente desconfortável, cheguei em casa e chorei por horas, do tipo "será que aquele cara nunca existiu?". Nos afastamos cada vez mais, e cada dia que passava a única oportunidade de ver ele, eu não via.
Teve uma festa, a Semáforo, foram todos meus amigos, me diverti pra caralho, dancei por bosta e por fim, ele estava lá, fiquei com ele várias vezes, fiquei com a Joséfa também (pela primeira vez), demos um beijo triplo, ficamos por maior tempão juntos, até subi no colo dele quando ele tava deitado no sofá kkkk, hoje em dia isso é de boas, mas na época muita gente me julgou. Depois disso nos afastamos de vez.
Umas semanas depois, estava na aula de artes, (na qual a professora era madrasta do Pablo) quando a professora diz:
Olhei pra Joséfa na hora e fiquei muda, aquilo partiu mais ainda meu coraçãozinho. Mas o que não era pra ser, não ia ser, não é?
Bom, gente, essa foi a minha história. O Pablo continua com a Múmia, mas não adianta ter uma aliança no dedo DE NOVO, e ainda olhar pra mim com a mesma cara de apaixonado de antes, vir me seguir nas redes e ainda dar em cima de mim, TÁ PABLO??? VÊ SE APRENDE A RESPEITAR A SUA MULHER, BEIJOS.
Um beijo no core de vocês, espero que tenham gostado, xau.
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2020.06.03 19:22 dustobbop FUDIDÃO VOCÊ

FUDIDÃO VOCÊ NÉ CAMARADA? SONSO TONTO BURRO DESPREZADO JEGUE FUDIDO ESTUPIDO CARCARÁ SEM FAMÍLIA SEM AMIGOS DOIDO ESQUIZOFRÊNICO LEPROSO CARA DE MINGAU FIMOSE CAGADA DONA PEIDA CHUPADOR DE MIKE TYSON PERNINHA DE SARACURA FÃ DE GUNS N ROSES GAY GAY GAY GAY GAY TIM MAIA SÍNDICO ESPANTALHO DO FANDANGOS VARETA DE ARVORE VELHA PROSTITUTO DOIDO NARCISISTA LOUCO PERTURBADO AIDÉTICO DESFAMILIAR BOÇAL FEIOSO HOMEM DE INTELECTO LILIPUTIANO BAITOLA BEBUM DEBILOIDE FUDIDO DEFUNTO COCÔ OVO COZIDO FEDORENTO HOMOSSEXUAL ESCROTO IDIOTA IMBECIL MOCORONGO OTÁRIO PASPALHO RIDÍCULO VAGABUNDO XOXO PROSTITUTO PEDERASTA INFANTIL PENTELHO NOJENTO PEIDO DE VELHO DIABÉTICO NOJENTO MODRONGO LADRÃOZINHO GOSMENTO GAIATO FEIOSO DEFUNTO ENDEMONIADO SERVO DE BELZEBU CORRUPTO CHIBUMBO GOGOBOY DE VELHA NA MENOPAUSA CAGALHÃO DIARREICO BICHENTO VIADO BABACA CABELUDO BIFE DE RATO CHORUMENTO BAFO DE BUNDA JOELMA PELADA TIGRE DO CEREAL BUCETA MAGRA PEITER DO EI NERD EPISÓDIO PERDIDO DO CHAVES ACAPULCO QUICO NEGRO MASSAGEM NO SACO PAQUIDERME TREMENDO VACILÃO CHEIRA PEIDO MASSAROCA PAUZINHO DE VELHO BALANÇA BALANÇA DRIFT RODELA DE SALAME DIRETAMENTE NO RATINHONHO ESTUPIDO SAMBA CANÇÃO DE PAPAI PIROQUINHA CHEIROSA(?) OLHEIRO DO THE VOICE KIDS BANHEIRA DO GUGU AIAI TIRE O DEDO DO MEU CU BAIXISTA DA BANDA MALTA EX INTEGRANTE DO CARROSSEL CÉREBRO DE GAFANHOTO CHIP DA TIM MAMADORA DE DESENHISTA MARTELINHO DE QUEBRAR COFRE MC CAROL CHEIRINHO DE SEXO ELE ARREBENTOU MEU BOGA EU DISSE OPA AMIGÃO ÁLCOOL EM GEL PRETO DANIEL MOLO CARRINHO DOS SIMPSONS MARCOS CASTRO DE REGATA PIROCA ESTRANHA BURRA BOBA ARROZ QUEIMADO NO FUNDO HOLYFIELD OLIVER TREE DO CACETE SUA MÃE TA AQUI FALA COM ELE ALO ALO TO MAMANDO TUDO TA MÓ ZUAÇÃO TEU PAI FAZ PROGRAMA DE NOITE BOBÃO ADEUS BOÇA DE MERDA BOCETINHA DE COCÔ MOZAR ESTEVE AQUI PORRA MORDE A CABEÇA DA MINHA PICA BOBALHÃO ROBÔ DO BILSONERO RODO DE PIA ZÉ PILINTRA VENDEDOR DE BALA CEO DO SHOPPING TREM LEITOR DE OLAVO DE CARVALHO ESTRUME PEDERASTA FORAGIDO PIZZA DE ABACAXI CAGADOR SILENCIOSO JACA QUE ENVIARAM O PÉ BESTA-FERA PUTREFATA MACARTHISTA LAMBE BOTA ISSO NÃO É UMA COPYPASTA ENGRAÇADA EU CHORO CONSTANTEMENTE PANACEIA ERRADA BISCATE ARROMBADO MIL VEZES ENCOXADOR DE IDOSAS PACHOLA NARIGUDO FEDIDO A QUEIJO LAMBEDOR DE TELEFONE MENTECAPTO POLICIA DO ZAP CUZINHO LUBRIFICADO PALHAÇO PAGLIACCI MAL DIAGRAMADO SALSICHÃO DO ZORRA TRANCREVEREI O VÍDEO DO BONITO BOLO EU TENHO UM PRESENTE PRA VOCÊ UAU QUE? QUE BONITO BOLO QUE BONITAS VELAS COM A MINHA IDADE! COMPREI PRA VOCÊ, PENA QUE NÃO POSSO COMPRAR UMA COISA MAIS CARA... É QUE EU SOU UM GAROTO POBRE NÉ NÃO NÃO NÃO É O SUFICIENTE, EU TENHO UMA IDEIA QUE PODE SER UM PRESENTE DE GRAÇA EU POSSO FAZER O QUE VOCÊ QUISER DE GRAÇA... UMA PICA VAMO FUDÊ? VOCÊ É INTELIGENTE, COM CERTEZA, VAMO TRANSAR E A CENA QUE SE SEGUE É A DANCINHA DO VAQUEIRO QUE É DO CARALHOOOOOO BESTA DESALMADA FÚTIL ARROMBADA ABOBADA SEM PAI DESNATURADA PINGO DE MIJO CURVA DE PAU TORTO ADVOGADO DA GRETCHEN APATRIADO DOIDO CUIDADOR DE IDOSOS MAL AMADO LAMBE BOTA DE PM SOMELLIER DE DECEPÇÕES YOUTUBER SAPATILHA JEZEBEL TONTO DESVIADO CABELO DO THIE ROCK NA ERA LOIRA INFELIZ SATANÁS ENVIADO PRA DESTRUIR IGREJAS MORADOR DE SODOMA GLANDE FEIA CÁLICE DE PORRA CHORAM AS ROSAS BRUNO E MARRONE GORDO SAFADO MAMUTE DA TETA SUADA DESEMBESTADO JEGUE DANÇARINO DANADÃO SONIA ABRAÃO SEM MORAL EXIBICIONISTA ANCAP MISERÁVEL FARISEU PRAGA DO EGITO CRACUDO DOIDO FILHO DO ALEXANDRE FROTA ARTISTA DE FURRY POETA DA BOCA DE LIXO GALO GORDO IMPURO FILHO PRODIGO POSSUIDOR DE TRANSTORNOS SÉRIOS VÔMITO DA LOLLY PARA MENINAS BICHONA EMO BAIANO CAGA GROSSO CU DE FOSSA ORELHINHA DE JUMENTA COMEDOR DE ANÃO CUECA BOXER PEQUENOS ESPIÕES 3 BURRO CASCA FINA SACO MOLHADO BUNDA ROSA UNHA PINTADA DE VERDE DADO DOLABELLA COALA DO CARALHO JACARÉ DO É O TCHAN CARIOCA BOQUINHA DE VELUDO MOCRÉIA DEPRESSIVO FADA SENSATA CAPOEIRA MATA UM ZUM ZUM ZUM ATAQUE DOS PALHAÇO LOCO MEXILHÃO FEIO AQUI É SUA TIA QUERIDO! SE LEU ATÉ AQUI SAIBA QUE TITIA TE AMA! SACO DE MERDA COM VÔMITO DESMORALIZADO COROINHA DO QUINTO DOS INFERNOS PSICÓTICO INSONIOMANÍACO PAPETE DA M4NU G*SSAVI INFÉRTIL MEU SACO MURCHO NO FRIO IMPURO BUCETA FEDIDA DE GORDA MAL AMADA BRIOCO MAL LAVADO ÁGUA DE CHUCA DE UM VIADO COM DIARREIA CHIBUMBA CHIFRUDO DO TAMANHO DO BURJ KHALIFA TEU PAI É O ARTHUR MAMAEFALEI SEU POUCA-VALIA SEU FRALDA GERIATRICA BACURA FILHO DE UMA PISTOLA SEM BALA DESFORNICADOR EMPATA FODA GONORREIENTE DESVIADO DO CAMINHO DO SENHOR IMPIO MACHORRA MOCORONGO CEGO SURDOMUDO ANALFABETO EM LINGUAGEM DE LIBRAS PASPALHO POSTULENTO *RESPIRA MAL AMADO SULISTINHA FUDIDO JURADO DO SILVIO SANTOS PUNHETEIRO FANTASMA CHEIRADOR DESCABELADO EMPATA FODA TCHOLINHA SEM CULTURA POESIA PRA VOCÊ VIA MESTRE SKYLAB: DEDO, LÍNGUA, CU E BOCETA, DEDO, BOCETA, LÍNGUA E CU. DEDO NA LÍNGUA, LÍNGUA NO DEDO, CU NA BOCETA, BOCETA NO CU. DEDO NA BOCETA, LÍNGUA NO CU, LINGUA NA BOCETA, DEDO NO CU, DEDO, LÍNGUA, CU, BOCETA TAMBÉM, BOCETA VEZES DEDOS, NOVES FORA CÚ. LÍNGUA, LÍNGUA, LÍNGUA, DEDO NO CU, DEDO DE BOCETA, LÍNGUA DO CU. DEDO, LÍNGUA, CU E BOCETA, DEDO, BOCETA, LÍNGUA E CU. GOSTOU NÉ? GOSTOU PORQUE VOCÊ É UM DESCARADO MALDITO SEM PAI MOLESTADOR DE TRAVESSEIRO INFELIZ E DIGO MAIS: SEU CARLOS BOLSONARO IMBECIL REMELENTO ROLINHA MILIMETRICA PAUZINHO MICROSCOPICO TETUDO SUA BUNDA PARECE UMA BUCETA SEU XEXEQUENTO MAU CARÁTER GOLPISTA CLONADOR DE CARTÃO SEM FUTURO SACANA RETARDADÃO NEM SUA MÃE GOSTA DE VOCE SEU CAMINHÃO DE LIXO QUE PASSA AS SETE DA MANHÃ DE DOMINGO COM OS GARIS GRITANDO CAMINHÃO DO LIXOOOOOOOOOO E TE ACORDA PARTICIPANTE DE CULTO SATANISTA PACTEIRO DE BELZEBU SUA NAMORADA TE ABANDONOU PELO SEU VÍCIO EM FILMES RUSSOS CULT SEU ZERO A ESQUERDA CURTIDOR DE KPOP U DO URUBU ABANDONADO NA FRENTE DO ORFANATO SACOLA DE MERCADO CHEIA DE BARRINHA DE CEREAL SEXTA FEIRA MUITO LOUCA POCT POCT POCT PÓ FICA DE 4 NOIS BOTA SEM (???) TREPA TREPA TREPA TREPA TREPA VIGÉSIMA SINFONIA DE BEETHOVEN FILHOTE DE HITLER BROXADÃO CRIADO POR RATOS MOGLI O MENINO BROXA SEU DROGADINHO DO CARALHO SEU PAI FUMA PRENSADO COM PÉ DE INSETO DENTRO JACK FUDIDO BOCA DE PELO SEU REVIEWER DE LETTERBOXD DINGO BEL DINGO BEL SEU PAU É MURCHO QUE NEM MEL ESQUIZOFREUD SEU TEXTOS CRUEIS DEMAIS PRA LER RAPIDAMENTE AMANTE DA POESIA DE RUPI KAPUR FÃ DO FILME HER POIS É AMIGO EXISTE UMA RAZÃO PRA SUA FAMÍLIA NÃO TE CHAMAR PRO CHURRASCO NO DOMINGO E O MOTIVO É ESSE SEU CHEIRO DE MIJO COM CEBOLA SEM PAU MURCHÃO INCEL FUDIDO ATÉ O TALO UMBIGO SALTADO PRA FORA OUVINTE DA JOVEM PAN CAUBÓI CHORÃO TU GOSTA É DE PESQUISAR POR ROLA BONITA E VERDE NO GOOGLE MAMADOR DE SHREK FUDIDO TU NÃO TEM AMOR PELA SUA PRÓPRIA INTEGRIDADE COMO HUMANO VERMEZINHO DO INFERNO EU ESPERO QUE MORRA DA FORMA MAIS INFELIZ POSSÍVEL SEU LIXO DO CARALHO VOCE VAI COMPRAR COCAINA ATRÁS DA ESCOLA E TE VENDEM MAIZENA POR 100 REAIS SEU BURRÃO BEBEDOR DE PORRA DO CARALHO SUA MÃE OUVIU BTS UMA VEZ E FALOU QUE PREFERIA QUE VOCE FOSSE QUE NEM ELES SEU DESMAMADO TETA DE VACA PIERCING NO CU VOCE CHEIRA A SALGADINHO DE PIMENTA COM PRESUNTO SEUS PAIS CHORAM NO BANHO QUANDO LEMBRAM QUE VOCE GOZOU QUANDO SUA PRIMA TE DEU UM BEIJO NA BOCHECHA VOCÊ ACHA QUE É ENGRAÇADÃO NÃO É? POIS É AMIGO NINGUÉM NUM RAIO DE 200 KM TE SUPORTA SEU ASPIRANTE A TOALHEIRO VOCÊ MERECE CASAR COM UM CACHORRO COM SARNA PRA APRENDER OS PRAZERES NÃO ESCRITOS DA VIDA, VOCÊ PENSA NISSO E FICA EXCITADO SEU DEGENERADO, VOCÊ PENSA NAS NUANCES DA NOBRE ROLA DE UM CACHORRO E NÃO MEDE ESFORÇOS PRA AGARRAR ESSE SEU PINTO MIXURUCA E COMEÇAR A SE DIVERTIR COM AS MAIORES ATROCIDADES DESSA MENTE DOENTIA, FURRO MERDA VOCÊ CORTA CARNE COM TESOURA ESCOLAR E VOCE COME O RESTO DE COMIDA QUE FICA NO RALO DA PIA SEU ESQUIZODOIDO ASPIRANTE A JACK NICHOLSON EM O ILUMINADO APOIADOR DO CHRIS BROWN ESCARNECEDOR IMPIO CAVALO DA CARROÇA DO FARAÓ FILHO PRÓDIGO MÃEFODEDOR BUNDABURACO SEU CLIENTE DA NEXTEL ANARCOCAPITALISTA IMITADOR DO PAULO KOGOS QUANDO VOCE FALA DEUS VULT SUA MÃE EVANGELICA TE METE O CHINELO SEU NAZIPARDO FUDIDO AO QUE PARECE A DEDADA NO CU QUE O PADRE SÉRGIO TE DEU 7 ANOS ATRÁS NÃO FOI SUFICIENTE POIS VOCÊ AINDA PENSA NAQUELA ENORME SALSICHA QUE ERA O DEDO ANELAR DO VELHO HOMEM, AINDA FICA FELIZ PENSANDO NO ATO REPUDIÁVEL E NOJENTO QUE ESTE CONSUMOU, VOCÊ PARECE TRAUMATIZADO E NO FUNDO SABE QUE A SOCIEDADE TE JULGARÁ INEVITAVELMENTE, TAL QUAL FAÇO NESSE EXATO MOMENTO. A MENTE DOS HOMENS É UM MISTÉRIO PRA TODA A ETERNIDADE E VOCÊ SABE DISSO MELHOR QUE QUALQUER UM; QUANTAS FORAM AS NOITES ÍNSONES QUE PASSOU ATÉ PODER SE SENTIR MINIMAMENTE BEM CONSIGO? POBRE GAROTO, VOCÊ AINDA SERÁ CHAMADO DE PODRE POR MUITOS! NÃO SE ACANHE, CÁ ESTOU PRA TE DESGRAMAR SEU MALDITO TEU PAI É GOGOBOY E SUA VÓ É STRIPPER BANANÃO QUANDO UMA MULHER TE VÊ ELA LIGA PRA POLICIA ACHANDO QUE VIU O CTULHU SUA MENTE É PERTURBADA VOCÊ VÊ FANART DE FURRY E SE MASTURBA ENQUANTO IMAGINA UMA VELHA GORDA PISANDO EM VOCÊ COM O PÉZÃO 48 DELA SEU ESCUTADOR DE MUSICAS QUE TOCAM NA C&A DOIDO BURRO SUA CARA É UMA MISTURA DE VOLDEMORT COM SMEAGOL SEU ROMANTIZADOR DE LOLITA SUA ALMA É PODRE NEM TOMANDO MIL E QUINHETAS BOMBAS VOCE IRIA FICAR FORTE MAGRELO FUDIDO FRACO MOMENTO MELHOR CENA DO HUMOR MUNDIAL E O QUE FEZ O GATO ANTES DE SAIR PRA RUA? O MORDEU E 2 MINUTOS DEPOIS? VOLTOU A MORDE-LO E 5 MINUTOS DEPOIS? VOLTOU A MORDE-LO E 10 MINUTOS DEPOIS? VOLTOU A MORDE-LO E 20 MINUTOS DEPOIS? VOLTOU A MORDE-LO COMO SE CHAMA ISSO? REMORDIMENTO HAHAHAHAHAHAHA GOSTOU PILANTRA? NÃO CONSEGUE LEVANTAR NEM UMA FOLHA DE PAPEL SEU HITLERZINHO AFINAL ÉS TÃO HORRÍVEL QUE PARECE UMA MISTURA DE HITLER MUSSOLINI IMPERADOR HIROITO VLAD O EMPALADOR GENGHIS KHAN E AS FADAS SENSATAS SEU NOJENTO ESCUTA AQUI SEU BORBOLETINHA NA COZINHA QUE FAZ PORRA QUENTE PRA MADRINHA SEU ESCRAVOCETA FAZENDO AS COISAS POR MULHER INGRATA SEU PERNA DE PAU OLHO DE VIDRO E NARIZ DE PIKA DURA NENHUM DOS SEUS FAMILIARES QUER SER ASSOCIADO COM SUA EXISTÊNCIA MISERÁVEL E ESTÚPIDA, SEU DESCONTROLADINHO QUE BATE PUNHETA PRA RULE 34 DE AVIÃO DA BOEING QUE SOFREU ACIDENTE E AS VÍTIMAS NUNCA FORAM ACHADAS JÁ QUE ELAS ESTÃO NO OCEAN, SEU LIXO POUCA BOSTA. QUANDO VOCE VAI CAGAR A BOSTA OLHA PRA SI MESMA COM DESGOSTO POR TER SAÍDO DESSE BURACO ONDE JÁ ENTROU A BONECA BARBIE DA SUA IRMÃ MAIS NOVA, SEU PERVERTIDO DESGRAÇADO O PLANO DA NASA DE COLONIZAR MARTE NÃO É ATOA NÃO PARCEIRO, NINGUÉM AGUENTA MAIS LEMBRAR QUE VIVE NO MESMO PLANETA QUE VOCÊ, SEU CACHORRO BILLYZINHO FUGIU DE CASA E SE JOGOU NA FRENTE DE UM CAMINHÃO PRA ACABAR COM O SOFRIMENTO QUE ERA TER UM ULTRA FARO E SENTIR SEU CHEIRO DE EGIRL IMPREGNADO EM TUDO QUE É CANTO SEUS PAIS SÓ NÃO TE TROCARAM POR UM PEIXE PALHAÇO PORQUE VOCÊ NÃO VALIA NEM UM TERÇO DO NECESSARIO, E OLHA QUE ELES TENTARAM PASSAR A PERNA NO VENDEDOR, IMUNDO MERDALHEIRO ALA PERA PERA PERA LIGUEI AQUI PRA CÂMARA DOS DEPUTADOS ELES TÃO QUASE APROVANDO A LEI QUE TORNA CRIME SUA APARIÇÃO EM PUBLICO PORRA QUE LINDO VAI VIRAR CRIME VOCÊ MOSTRAR PRA ESSA CARNE CRUA MASTIGADA QUE VOCÊ CHAMA DE FACE E EU TO EXTREMAMENTE FELIZ, SÓ DE PENSAR NO CONCEITO DA EXISTÊNCIA DESSE SEU NARIGÃO DE BATATA EU ME VOMITO TODO SABIA? CHORUMOSO CAGALHADO, VOMITO A COZINHA, A SALA, OS QUARTOS, O SÓTÃO E OPA MINHA CASA TA TODA REDECORADA SÓ POR EU TER ME AVENTURADO EM PENSAR NA DESGRAÇA QUE VOCÊ É, AMALDIÇOADO DE OITO ANOS MENTAIS PIRIRIMPIRIRIMPIRIRIM ALGUÉM LIGOU PRA MIM ADVINHA QUEM É? É ISSO MESMO É O BOLA DE GOZO ELE TA VINDO TE ARREGAÇAR FILHA DA PUTA SORO POSITIVO DO CARALHO TU PEGOU AIDS COM UM ANÃO CALVO E EU SINTO PENA DO PEQUENO HOMEM POR TER QUE COMPARTILHAR ALGO TÃO ESPECIAL COM ALGUÉM TÃO ESBAGAÇADO QUE NEM VOCÊ SEU TRAFICANTE DE VIBRADOR SEM FAMÍLIA MACACO PREGO DESGRAÇADO EU ESPERO QUE VOCÊ TROPECE E ARREGACE A CABEÇA NO MEIO FIO PRA ACORDAR DE UM COMA EM 21 ANOS E DESCOBRIR QUE TODOS OS SEUS PARENTES MORRERAM CARALHOOOOO VOCÊ VAI CHORAR DIA E NOITE ENQUANTO EU TOCO O PUNHETÃO MAIS GOSTOSO NA SEPULTURA DA SUA MÃE E RIO MUITO COM ESSA LEITADA TÃO RADICAL PIOR QUE TU É GORDO NÉ MANO, MAS GORDO MEMO SEU FUDIDO FUI TE DAR UM ABRAÇO TIVE QUE ALUGAR 14 JOGADORES DE BASQUETE PRA FAZER UMA CIRANDA E CONSEGUIR FECHAR ESSA SUA CIRCUNFERÊNCIA DE PURO DESGOSTO E GORDURA ELA NUNCA VAI TE NOTAR CAMARADA, VOCÊ VAI CONTINUAR GOZANDO PRA MENININHAS ANIME E O ELA VAI TA SENDO TORADA PELO TALLL DO MANDRÁÁÀĂKĶƏ DAS QUEBRADA PENSANDO NA SORTE QUE ELA TEM DE TER ALGUÉM ASSIM ENQUANTO VOCÊ CHORA SE AFIRMANDO UM CARA LEGAL, CADA VEZ MAIS PATÉTICO AOOOOO POTENCIAL DE DAR O CU DESGRAÇADO BAITOLÃO BRINCA AQUI COM MEU SACO FILHO DE UMA CONCUBINA, QUER BRIGAS FODA? QUE TAL SUA MÃE VS DIETA? LOL AQUELA IMENSA OU SERÁ TEU PAI VS RUSSIA AQUELE BAITOLA?????? TENHO MUITO MAIS A DIZER: VOCÊ É TÃO NOJENTO QUE SEU MAIOR VÍCIO É CHEIRAR GOZO EM PÓ ENQUANTO BEBE O CÁLICE DE PORRA, SEU BEBEDOR DE GOZO DO CARALHO. MAS SABE O PIOR? É QUE É A SUA PORRA, JÁ QUE NENHUM HOMEM DEIXARIA VOCÊ MAMAR A PICA DELE CONSENSUALMENTE, SEU FUDIDO CARA DE BALÃO DO CARALHO. SUA CARA É TÃO FEIA QUE PARECE UMA ARGAMASSA DE BUCETA, LEROY MERLINZINHO DE MERDA, PARECE UM BONECO DE CERA COM ESSA MERDA DE CARA ESPINHENTA NOJENTA QUE NEM 500 LITROS DE ROACUTAN CONSEGUEM MELHORAR ESSA SUA SITUAÇÃO, ANÊMICO FILHO DA PUTA. FALANDO EM ANEMIA, PARECE VOCÊ, SEU MAGRELO ZÉ PALITINHO DE ENFIAR NO DENTE DO CARALHO, GINA COM PÊNIS SNIF SNIF MINHA NOSSA QUE CHEIRO DE IDOSO MORTO HÁ MAIS DE 3 SEMANAS DE QUEM SERÁ QUE- AH SIM! SEU SUVACO DESGRAÇADO E ESSA PIZZA DE 2 MESES QUE TU CARREGA SEU DESALMADO COMO PODE LEMBRAR DE JOGAR LOL O DIA INTEIRO E FINGIR QUE ESSE ABORTO ESMERDALHADO NÃO DORME NA SUA AXILA? NÃO EXISTE PESSOA SÃ NESSE PLANETA QUE NÃO CONCORDARIA EM TE PRENDER NUM ZOOLÓGICO. OS BABUÍNOS TE TEMEM SÓ PELO CHEIRO SEU BUCETADO QUE DESFEITA UOPA UOPA QUE ANIMAL DE TETA É ESSE QUE ESTOU VENDO? AH É, É VOCÊ SEU PORCO DO CARALHO, VOU ATÉ TE CHAMAR DE POLICIAL, FILHO DA PUTA BACON DO CARALHO. BACONZITOS. É ISSO QUE VOCE É! ALIÁS, VOCÊ TEM CHEIRO DE BACON MESMO. BACON DE UM PORCO TORTURADO DEBAIXO DO PORÃO DO CHARLES MANSON E QUE FICOU PODRE, SEU ARREGAÇADO ARGENTINO ARREGÃO. BIP BIP ALERTA DE CU BIZARRO REPITO ALERTA DE CU BIZARRO AMIGÃO VOCÊ TA PRESO DE ACORDO COM O ARTÍCULO DOZE DA MINHA PICA ALVEJANDO SUA MÃE SEU CU PARECE TANTO SUA CARA QUE EU FICO CONFUSO DE ONDE OLHAR NA HORA QUE VOU CONVERSAR CONTIGO (MEU GUILTY PLEASURE) EU TE ODEIO MAIS DO QUE ODEIO A TAYLOR SWIFT E OLHA QUE ELA ESQUARTEJA BEBÊS PRO CULTO DELA DE SWIFTERS SEU COCÔZÃO NINGUÉM TE LEVA A SÉRIO VOCÊ SE ACHA O REI DA IRONIA, BABACÃO CABEÇA DE NÓS TODOS TETA DE VÉIA FAGOTEZINHO HAHAHAHA MAS VOCÊ AINDA TA LENDO ESSA COPYPASTA??? MAS VÁ SE FUDER AMIGO TU ACHA QUE TA FAZENDO O QUE? ABSORVENDO CONTEÚDO? GASTANDO TEMPO? AMIGO INDEPENDENTE DO QUE VOCÊ ACHA, A RESPOSTA É QUE VOSSA SENHORIA É EXAGERADAMENTE BICHONA E SÓ CONSEGUE SORRIR QUANDO ENFIA UM PACOTE INTEIRO DE SALAMITOS NO CU. O TIÃO DO TRATAMENTO DE ESGOTO AINDA QUESTIONA O MOTIVO DOS TOROÇOS ANDAREM VINDO QUE NEM O PINHEAD COM OS GUERREIROS DE SALAME QUE SOBREVIVERAM AO OCRE QUE É ESSE SEU BURACÃO SEM AMOR, FALAÍ, CHUPETINHA DE COCÔ, ESSE TEU BAFO AÍ É DE QUÊ? DE BOSTA QUE VOCÊ COMEU PELO SEU FETICHE EM SCAT? DE PORRA? DE PELO DO CARALHO DO TEU PAI? AH, DEVE SER DAQUELE CADAVER DE UMA CRIANÇA QUE VOCÊ COMEU SEM NEM ESQUENTAR, SEU PSICOPATA PERTURBADO XUPISCO WHEY PROTEIN DE PIROCA. VOCÊ NÃO PASSA DE UM VIADINHO QUE AMA SENTAR NUM CANAVIAL DE ROLA E ASSISTIR FILMES PSEUDO CULT PRA IMPRESSIONAR A GAROTA DA SUA SALA QUE TEM HORROR A VOCÊ E FOGE DE TI SEMPRE QUE TE VÊ, COM MEDO DE ACABAR MORTA NUMA VALA PELO SEU OLHAR DE QUEM NUNCA VIU UMA BUCETINHA GOSTOSA NA VIDA, FRACASSADO NERDÃO. VASELINA DE ACENDER CUZINHO DE VELHO GORDO ESQUIZOFRENICO GORDO QUILOS MORTAIS DO CARALHO, URUBU LIXO. VOCÊ NÃO É NADA MAIS NADA MENOS QUE UM GRANDE TOLETÃO DE BOSTA, UM ENORME TOLETÃO DE ESTERCO, DE COCÔ, DE MERDA, DE FEZES, SEU TROGLODITA IRRESPONSÁVEL, NEM PRA SER UM OGRO DO CARALHO. PERDÃO AOS OGROS, JÁ QUE ELES SÃO LEGAIS, SHREK TÁ AÍ. VOCÊ É SÓ UM TOSCO, UM SAPO DO OLHO COSTURADO. BOM DIA PRA VOCÊ, MOTIVO DA CRIAÇÃO DESTA LEI QUE PREVÊ COMO CRIME O ATENTADO AO PUDOR, COMO VAI? ANDA SE SENTINDO BEM COM O ENORME PESO DE SER A DEFICIÊNCIA DA NOSSA SOCIEDADE? O BASTARDINHO RODELA DE FURICO COM ESPINHA? EU ESTOU AQUI PARA TE AJUDAR MEU RAPAZ, ACREDITE. VEJA POR EXEMPLO MEU DEDÃO DO PÉ DIRETAMENTE NO SEU OLHO SEU TERATOMA EM FASE ADULTA CURIÓ DO BICO AMARGO PIERCING NA TETA DA DAMARES UIUI PASSIVO AGRESSIVO UIUI PRIMEIRAMENTE VADIA DE BERMUDA, QUEM PASSA AQUI É SUA NAMORADA PASSA MAL VENDO O PEPINO DO PAPAI A AGRESSÃO FICA POR CONTA DO RABÃO DELA QUE JÁ TA ROXO DEPOIS DE ENTRAR EM CONTATO COM MINHA PÉLVIS FURIOSA MLK, FICA ESPERTO AÍ SOMMELIER DE PIROCA TORTA, JÁ QUE O DESEMPREGO TÁ AUMENTANDO E NINGUÉM VAI QUERER CONTRATAR UM XUPINGA PICA MOLE MICROSCÓPICA QUE NEM TU, SIRIGAITO DO CARALHO. VOCÊ DEVIA PARAR DE BATER PUNHETA PRA HENTAI DE CARRO TETUDO E SAIR DO SEU QUARTO, BICHO PREGUIÇA DA PORRA. AH, ESQUECI QUE VOCÊ É TÃO, MAS TÃO TOSCO QUE NEM SUA MÃE QUER OLHAR PRA TUA CARA DE RESTO DE ABORTO. LEMBRA DO SEU PARTO? NÃO NÉ SEU FILHO DA PUTA, MAS QUANDO SUA MÃE GRITOU DURANTE A CIRURGIA NÃO FOI POR DOR E SIM POR SENTIR QUE ESTAVA DANDO LUZ A UM RASCUNHO DO DIABO MAL FEITO CAGADO ESPIRRADO CHUTADO CHORADO E MIJADO. SUA CABEÇA PARECE UMA RASPADINHA DE CASPA, JÁ QUE VOCÊ NÃO LAVA ESSA IMUNDICE FAZ CINCO ANOS, CHEGA CRIOU NINHO DE RATO AÍ NESSA MERDA. QUASÍMODO FILHO DA PUTA, ESSAS COSTAS TODA TORTA VOCÊ ANDA DEITADO POR ESSA INCLINAÇÃO FUDIDA, SEU DESCOMUNGADO. AH, ME DISSERAM (COM LAUDOS MÉDICOS CONFIRMANDO) QUE VOCÊ É PORTADOR DA SÍNDROME DO BUMBUM GORDO GULOSO NECESSITADO DE PIROCA, ESSA BUNDA É UM PORTA-VIBRADOR, SÓ LEVA PIROCADA DE PLÁSTICO JÁ QUE NINGUÉM OUSA ENTRAR NESSA CAVERNA DO DRAGÃO, FEDIDA ESCURA E INFINITA. A INSPIRAÇÃO AÍKKKKKKKKK: "FILHO DA PUTA, VOU COMER SEU CU. ARROMBADO DO CARALHO, SUA MÃE ALUGA A BUCETA PRA COMPRAR FIXADOR DE DENTADURA PRO SEU PAI, AQUELE CORNO BROXA. CHIFRUDO, VOU ENFIAR MEU BRAÇO NO SEU ÂNUS E ARRANCAR SEU INTESTINO. LOGO DEPOIS VOU ENFORCAR SUA AVÓ COM ELE, AQUELA VELHA BISCATE QUE FAZ CROCHÊ PRA FORA EM TROCA DE PICA. SUAS TIAS TÊM PÊLO NO DENTE E SUA IRMÃ TEM POLENGUINHO NA VIRILHA, SEU GRANDE FILHO DA PRÊULA. SUA MÃE DAVA LEITE DA CABEÇA DO PAU DO SEU PAI PRA VOCÊ BEBER, FILHO DA PUTA. ISSO MESMO, VOCÊ TOMAVA MAMADEIRA DE PORRA DESDE CRIANÇA. POR ISSO É O RETARDADO MENTAL QUE É HOJE, SEU ZÉ BEBEDOR DE SUCO DE CARALHO. O PADRE TE BENZEU COM ÁGUA PARADA, HOJE VOCÊ SOFRE OS EFEITOS RETARDADOS DO AEDES AEGYPT QUE SE ALOJA DENTRO DO SEU OUVIDO, SEU MONTE DE ESTERCO. SEU AVÔ ARROMBADO USA FRALDA E TE OBRIGA A LIMPAR OS CAGÕES DELE COM UMA COLHER DE DANONINHO, SEU CAPACHO DO CARALHO. SUA MÃE TE FAZ DORMIR COM O REX, AQUELE CHIUAUA FILHO DA PUTA E CHEIO DE SARNA. E DURANTE A MADRUGADA O REX ABUSA SEXUALMENTE DE VOCÊ, ATÓLA A PATINHA DENTRO DESSE SEU CU PELÚDO, SEU FRACASSADO. LEMBRA DA JANDIRA, AQUELA SUA PRIMA MONOTETA ? POIS É, ENFIEI UM TACO DE BASEBALL NO CU DELA. A MÃE DELA DEU O FLAGRANTE NA GENTE E AO INVÉS DE FICAR BRAVA, PEDIU O TACO EMPRESTADO. VADIA DO CARALHO ESSA SUA TIA, SÓ PODE TER APRENDIDO COM SUA MÃE, AQUELA BISCATE. QUE ALIÁS, CONTINUA CHUPANDO O CARALHO DO ZÉ DO PACOTE, O TRAFICANTE QUE MORA AÍ DO LADO DA SUA CASA DE BARRO, SEU FILHO DUMA MACONHEIRA VAGABUNDA. O CABELO DA SUA MÃE É TÃO RUIM QUE ELA FAZ CHAPINHA NOS PÊLOS DO SOVACO E USA UM DESODORANTE COM CONDICIONADOR CAPILAR, AQUELA VELHA CARCOMIDA DESGRAÇADA. VOCÊ FOI ENCONTRADO NO LIXO, SEU MERDA. E ATÉ HOJE SUA MÃE PEDE DESCULPAS PRA DEUS PELO PEDAÇO DE MERDA QUE PARIU. ATÉ TE EMBALOU NUM SACO PRETO ANTES DE JOGAR NO LIXO, MAS VOCÊ É TÃO HORRÍVEL QUE UM MENDIGO TE ENCONTROU E QUASE TE COMEU ACHANDO QUE TU ERA UMA LAZANHA, SEU ESCROTO FILHO DA PUTA. SEU PAI VENDE CARTA DE MAGIC ROUBADA PRA JOGAR UMA HORA NA LAN HOUSE E ENTRAR EM SITE PORNÔ. DEPOIS ELE SE MASTURBA E GOZA DENTRO DO SEU TRAVESSEIRO. ISSO MESMO, AQUELA MANCHA BRANCA QUE INSISTE EM APARECER TODA VEZ QUE VOCÊ ACORDA NÃO É SUA SALíVA, SEU FILHO DA PUTA. VOCÊ SEMPRE FOI O MAIS ALOPRADO DA CLASSE. LEMBRA QUANDO ENFIARAM UM GIZ NO SEU CU ? VOCÊ FICOU UMA SEMANA CAGANDO BRANCO, PARECIA GESSO. E QUANDO VOCÊ IA RECLAMAR COM A PROFESSORA, ELA TE MANDAVA CALAR A BOCA. AQUELA VELHA SEMPRE SOUBE QUE VOCÊ TEM PROBLEMAS MENTAIS, SEU RETARDADO. AÍ VOCÊ TINHA QUE CALAR ESSA SUA BOCA ENQUANTO O GIZ DERRETIA DENTRO DO SEU INTESTINO, HAHA. FRACASSADO, VÊ SE PASSA UMA GILLETTE NESSE SEU BIGODINHO RIDÍCULO. TU PARECE O MANO BROWN, PORRA. E DÁ UM JEITO NESSAS SUAS TETINHAS DE BRIGADEIRO, ELAS ESTÃO COMEÇANDO A FEDER. TODA VEZ QUE EU PASSO DO SEU LADO, SINTO CHEIRO DE CACHORRO MORTO. QUE ALIÁS, SE ASSEMELHA AO CHEIRO DA XAVASCA DA SUA MÃE, AQUELA LEITOA MALDITA. DIZ PRA ELA CONGELAR O FEIJÃO QUE HOJE EU VOU CHEGAR TARDE, SEU PUTO. SEU FILHO DUMA PUTA DO CARALHO SE ENXERGA PORRA… VAI TOMAR NO MEIO DA ÍRIS DO OLHO DO TEU CÚ SEU FILHO DUMA VENDEDORA DE PIROCÓPTERO! SEU PAI VENDE BILHETE DE LOTERIA ESPORTIVA NA FRENTE DA SAPATARIA SEU FILHO DUMA PUTA DO CARALHO.! TOMARA Q SUA VÓ ESCORREGUE NO BOX ENQTO TIVER TOMANDO BANHO E CAIA DE TESTA NA SABONETEIRA SEU CORNO DO CARALHO.! QUERO MAIS EH QUE VC SE FODA JUNTO COM TODA A SUA FAMÍLIA AKELE BANDO DE CATADOR DE GARRAFA DO CENTRO COMUNITÁRIO.! SUA MÃE DA AULA DE MAMULENGO PROS PRESIDIÁRIOS DO CARANDIRÚ SEU FILHO DA PUTA.! SEU PAI ANDA PUXANDO UMA CARROÇA PELA CIDADE CATANDO PAPELÃO PRA DEPOIS FAZER UM PACOTÃO E VENDER TUDO POR 1 REAL! SUA MÃE ENCAPA SEUS LIVROS E CADERNOS COM SACO DE ARROZ TIO JOÃO SEU FILHO DUMA LAVADERA DO CARALHO.! SEU PAI VENDE REDE NO FAROL SEU FILHO DA PUTA.! SEU AVÔ CONSERTA PANELA DE PRESSÃO E AMOLA FACA DE PORTA EM PORTA SEU FILHU DUM PÉ DE AIPIM.! SEU PAI FAZ CARRETO DE KOMBI PORRA… CARALHO.! VAI TOMA NO CÚ SEU FILHO DA PUTA EH ESSA PORRA DESSE CARALHO ESPACIAL VUANU ATRÁS DE VOCÊ PORRA VAI TOMA NO CÚ CARALHO.! QUERO MAIS EH Q VC SE FODA E QUE A TOWNER Q SEU PAI USA PRA TRABALHAR (PERUEIRO FILHO DA PUTA) PEGUE FOGO COM VC, SUA MÃE, SUA IRMÃ, SUA VÓ E MAIS 3 CLIENTES… SEM CONTAR TBM Q QUERO Q TENHA INFILTRAÇÃO NO SEU BARRACO TODO.! QUERO Q SUA FAMÍLIA TODA SEJA VÍTIMA DUMA EPIDEMIA DE MALÁRIA E FEBRE AMARELA.! E DIGO MAIS! DESEJO QUE VOCÊ TENHA CANCER NO CÉREBRO E QUE SUA MÃE CAIA COM O CÚ NA QUINA DA MESA DA SALA.! SUA MÃE GUARDA PÉ DE MOLEQUE E SUSPIRO QUE ELA FAZ PRA VENDE EM PACOTE DE MANTEIGA CAMPESINA SEU FILHO DUMA BISCATE RAMPEIRA E SEM DONO DO CARALHO QUERO MAIS EH Q VC MORRA JUNTO COM TODA SUA FAMÍLIA PORRA CARALHO VAI TOMA NO CÚ MERDA VAI SE FUDER… FILHO DUM SACO DE ADUBO MANAH…! SEU PAI FAZ GLOBO DA MORTE DE BARRAFORTE COM SUA MÃE NA GARUPA FILHO DA PUTA.! SUA MÃE AGUENTA A TORCIDA TODA DO CORINTHIANS E DO FLAMENGO SOZINHA E AINDA PEDE BIS SEU CORNO DO CARALHO, FILHO DA PUTA! SEU PAI É FEIRANTE AQUELE CORNO VENDEDOR DE ALFACE! SUA MÃE PEDE ESMOLA JUNTO COM TEUS TIOS NA FAROL AQUELA MULAMBA DO CARALHO!…SEU MÃE VENDE AMENDOIM SEM CAMISA NO ESTADIO DE FUTEBOL SEU FILHO DUMA VAGABUNDA VADIA! SEU PAI É GAY IGUAL A VOCE SEU FILHO DUMA CADELA SARNENTA, PEGUEI ELE NA GRAVAÇÃO DO PROGRAMA DO LEÃO LOBO PARTICIPANDO DE UMA SURUBA JUNTO COM O CLODOVIL SUA BICHA ENRUSTIDA DO CARALHO!… SUA MÃE É UMA PISTOLEIRA, (E DAS BOAS) FEZ SERVIÇO COMPLETO PRA MIM E PRA MINHA GALERA, SEU FILHO DE UMA VERDADEIRA PUTA MALDITA!…SEU PAI AQUELE CORNO DO CACETE É GARI, E SUA MÃE É VARREDORA DE RUA SEU FILHO DO CAPETA!… ESPERO QUE VOCE SE FODA, MAS QUE SE FODA MESMO, E QUE VOCE SEJA ATROPELADO POR UM TREM, E QUANDO SEUS PEDAÇOS CHEGAREM NO IML, O LEGISTA AINDA COMA SEU CU HAHAHAHA, ATÉ MORTO SE TA DANDO O RABO RAPAZ… SE FODE FILHO DE UMA RAPARIGA DO MATO…SUA MÃE DIRIGI CAMINHÃO COM AS TETAS DE FORA, AQUELA VACA GORDA FILHA DA PUTA! …SEU PAI TEM CARTEIRINHA VIP NO GALA GAY AQUELE TRANSFORMISTA DO CARALHO…PORRA! VAI SE FUDE SEU NERD DO CARALHO!… VOCE NÃO NASCEU, VOCE FOI CAGADO SEU MONTE DE MERDA DO CARALHO" SÃO MITOS DA COPYPASTA AO VIVÃO SEU PASSARALHO DE MERDA, SEU CANTO É COMO O ARROTO DE UM DRAGÃO DEFICIENTE QUE FICOU PRESO TRÊS MIL ANOS DEBAIXO DO CENTRO DA TERRA E QUE SONHA EM DESTRUIR SUA ALMA, SEU ANTICRISTO LEVA-PIROCADA. ALÉM DE TUDO, É UM PAU-MOLÊNCIO QUE OUVE ANAVITÓRIA ENQUANTO SE MASTURBA PRA FOTO DE CADÁVERES RUSSOS MEQUETREFE ABESTADO PÉ FEIO RUIM TIFE CÃO SATANAS DOS INFERNOS BOBONICA FEB PRETA TAPINHA NÃO DÓI ÉÉÉÉ MEU AMIGO É ISSO AÍ EU VOU COLOCAR A LETRA INTEIRA DE SORRIZO RONALDO E VOCÊ FIQUE BEM QUIETINHO PORRA SORRI, SORRI SORRI, SORRI SORRI, SORRI SORRI, SORRI WE WILL, WE WILL ROCK YOU (É O SORRIZO RONALDO) WE WILL, WE WILL ROCK YOU (SORRI, SORRIZO RONALDO) É O SORRIZO RONALDO SORRIZO RONALDO ESSE É O SORRIZO RONALDO ESSE É O SORRIZO RONALDO QUEM VAI TE TACAR A PIROCA O SORRIZO RONALDO CONVOCOU, CONVOCOU (OI) CONVOCOU (OI, OI) AÊ, GAROTO (OI, OI) É A VEZ DAS PIRANHA CARALHO! SORRIZO RONALDO SORRIZO RONALDO CARALHO! É O PICA DO YOUTUBE, ELE TÁ EMBRAZADO GERAL JÁ TÁ SABENDO QUE É O SORRIZO RONALDO PU TA QUE PA RIU TACRACATACARACATACARACATATATATATATACARACATACARACATACARACATATATATATA TATATATA TA TA DE VOLTA É O SORRIZO RONALDO SORRIZO RONALDO, ISSO NÃO É LEGAL É O SORRIZO RONALDO QUE CHEGOU QUANDO VÊ O SORRI, SORRI, SORRI, SORRI, SORRIZO RONALDO ESSE É O SORRIZO RONALDO DO YOUTUBE, O MAIS PICA DO BAGULHO LÁ VEM, LÁ VEM ELAS PODE SOLTAR, PODE SOLTAR VEM MULHER, VAI QUINHENTAS FOTOS POR MINUTO PODE SOLTAR, PODE SOLTAR FUDEU! É O SORRIZO RONALDO SORRIZO RONALDO ESSE É O SORRIZO RONALDO ESSE É O SORRIZO RONALDO QUEM VAI TE TACAR A PIROCA O SORRIZO RONALDO CONVOCOU, CONVOCOU (OI) CONVOCOU (OI, OI) AÊ, GAROTO (OI, OI) É A VEZ DAS PIRANHA CARALHO! SORRIZO RONALDO SORRIZO RONALDO CARALHO! É O PICA DO YOUTUBE, ELE TÁ EMBRAZADO GERAL JÁ TÁ SABENDO QUE É O SORRIZO RONALDO KMKMKKKJJJKJMEU TU NÃO SABE O QUE ACONTECEU OS CARAS DO CHARLIE BROWN INVADIRAM SUA MÃE ESTÚPIDA DE DOIS NEURONIOS CADEIRANTES ESSA ÉGUA BEBE ÁGUA USANDO UM GARFO É REALMENTE UM VEGETAL AMBULANTE FUI PERGUNTAR SE ELA TAVA GOSTANDO DA PIROCADA ELA FALOU ABLUBLÉBLUBLÉBLUUUUUUUUUU CARALHOOOOOO ELA NÃO GEME ELA SÓ U U UUUU FUI BRINCAR DE HE MAN COM SEU VÔ E ELE TAVA COM A ESPADA DE PLÁSTICO NO CU GRITANDO QUE TINHA A FORÇAKKKKKKKKK BRINCADEIRA! ENFIEI LÁ E AMEACEI ELE COM UMA FACA DE CORTAR PÃO, GRITOU QUE FOI UMA BELEZA QUANDO EU GOZEI NO OUVIDO DELE POOOOORRAAAAAAA TAPINHA NÃO DÓI VAI LATINO ESMAGUE MINHA BUNDINHA COMO FAZIA COM SUAS ITALIANAS NA FESTA NO APÊ VAMOS LATINO EU QUERO TAPÃO DE QUALIDADE LEVANTA AÍ MACACO
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2020.05.04 02:54 SatokoHoujou Descobri que sou trans. E agora?

TL;DR abaixo com as perguntas que gostaria de sanar, o resto é desabafo e contextualização.
Oi gente, tudo bem? Recentemente me descobri trans (MtF) depois de anos achando que era apenas um fetiche ou vontade de fazer crossdress. Gostaria de tirar algumas dúvidas sobre TH e também desabafar e conversar um pouco com quem também passa/passou por isso e como lidar. Só para clarificar, ainda estou usando pronomes/nome masculino mesmo, porque...
Sinceramente, eu não me sinto uma mulher. Isso é normal? Eu sei que gostaria de ser uma mulher, mas vivendo quase 23 anos como homem me sinto muito hipócrita em dizer que me sinto uma mulher. Já me acostumei a viver assim. Minha vida é uma eterna monotonia. Faço faculdade e estágio. Não tenho amigos, não tenho vida social, meu único hobby é jogar vídeo game, então que diferença faria? Sinto que para mim a transição seria uma forma de escapismo. Como um meme que vi: "não arrumei uma namorada, então eu mesmo viro a namorada". E se for uma fase?
A primeira vez que senti uma certa disforia foi assistindo um anime em que um personagem era crossdresser, porque se sentia fraco como um homem e recorreu a essa opção, de viver sua adolescência como uma menina. Esse foi o primeiro momento em que eu se quer cogitei que aquilo podia ser uma opção para mim. "Eu também não gosto de ser homem, e se eu fizesse crossdress?" Pedi para meus pais comprarem um vestido para mim sob o pretexto de fazer cosplay, mas infelizmente foi sem sucesso. O outro motivo é que eu me sinto mal por como isso foi despertado. Se eu nunca tivesse assistido esse anime, não estaria passando por isso agora?
Não tem como eu me iludir pensando o quão bom teria sido fazer a transição antes, eu nem sabia que isso era uma opção. Via 'travestis' com maus olhos, jamais que eu queria ser aquilo. O que me lembra que até uns 12 anos eu era extremamente homofóbico e transfóbico, mas isso é porque eu morava em uma cidade minúscula onde todo mundo é assim. Mais engraçado ainda é lembrar que quando eu tinha uns 5 anos eu tinha muito medo de "ser gay", porque associei o que escutei de adultos a algo ruim, digno de vergonha. Lá pelos 13 anos, comecei a questionar minha sexualidade, se eu possivelmente era bissexual, e infelizmente até hoje não tive a oportunidade de sanar essa dúvida, e um pouco se deve ao medo.
Eu sempre tive cabelo grande, desde os 9 anos. Sempre ODIEI meu cabelo curto, tentei deixá-lo curto várias vezes, e o resultado sempre era o mesmo: eu odiava, me arrependia, às vezes chorava, e ficava me sentindo burro por ter que ficar esperando um ano e meio até que crescesse. Deixei crescer acho que 5 ou 6 vezes ao longo desses anos. Hoje eu imagino que seja porque realça demais a masculinidade no meu rosto, o que dá para disfarçar um pouco sem estar curto. A última vez que cortei eu havia decidido que não deixaria mais crescer, porque queria ter mais oportunidades profissionais sem que o cabelo fosse um empecilho em entrevistas. Mudei de ideia, e quis deixar crescer de novo para dessa vez fazer crossdress. Estava decidido que iria me depilar inteiro, arrumar uma roupa legal, e realizar esse desejo secreto o qual sonho por pelo menos 8 anos. Mas tinha que ser algo genuíno, por isso quis deixar crescer de novo; nada de peruca, pois não me sentiria bem. Depois disso, poderia cortar de novo e seguia com o plano original.
Era esse o plano até a minha ficha cair: eu não gosto de ser homem, de parecer homem, e preferiria ser e parecer uma mulher, mesmo não sabendo explicar o porquê. E aí o desespero bateu, pois eu já passei há tempos da puberdade, sinto que não tenho mais um "rostinho de bebê" que tinha até uns 19, e a passagem do tempo me dá medo demais. Eu preferiria desistir da ideia, não ter que lidar com o preconceito, mas e se eu me arrepender quando estiver muito mais velho? Tem como eu empurrar isso para debaixo do tapete e fingir que nunca aconteceu? Acho que não.
Então dito isso, eu acho que estou na idade certa para fazer a transição. Não tão jovem quanto eu gostaria, mas suficientemente para ter ótimos resultados e começar a viver da maneira que eu quero. Isso se não fosse pela questão financeira ): Atualmente, eu sou estagiário em uma escola, estou no último ano de Letras, e quase todo meu dinheiro é para pagar a mensalidade da faculdade. Em dezembro, termino a faculdade e meu contrato de estágio acaba. A partir do ano que vem imagino que eu consiga arrumar um emprego como professor e ganhar cerca de uns 1800 reais, sem considerar a situação do Covid. O quão viável seria esse dinheiro para começar a pensar em depilação a laser e na transição?
Eu continuaria a morar com os meus pais, sei que isso está longe de ser o ideal, mas eu não vejo como conseguiria pagar aluguel enquanto pago as coisas relacionadas à transição, até porque eu não tenho nem roupa ou maquiagem alguma. Meu pai é aquele tipo de pessoa "o filho do vizinho ser gay tudo bem, mas o meu não", mas eu acredito que com tempo ele aceitaria. Minha mãe eu sei que aceitaria, se não fosse pela questão da insegurança e dificuldade de arrumar emprego. Por isso, tenho certeza que ela iria me desencorajar e dizer que é só uma fase.
Apesar disso, acho que eu preparei o terreno suficientemente bem ao longo dos anos: sabem que gosto do meu cabelo grande, já contei para eles diversas vezes que queria fazer crossdressing, usei maquiagem por uma época, aos 13 anos, e recentemente comecei a me depilar. Eu até fiz uma tentativa de sair do armário para minha mãe. Uma vez que o assunto encaixou, mostrei uma foto de transição de uma pessoa que era muito musculosa e barbuda, e havia se tornado uma mulher lindíssima. Aí eu falei: "se fosse para ficar bonita assim, até eu iria querer tomar hormônios". Ela respondeu: "sério? Que estranho". Foi literalmente isso. Estava na expectativa de ela me perguntar algo, mas nunca mais tocou no assunto. Não sei se foi só insensibilidade dela ou se também é um assunto o qual ela prefere evitar.
E sobre a transição em si, o quão viável é fazer pelo SUS ainda esse ano considerando a situação da pandemia? Se eu fizesse isso particular, quais passos eu teria que tomar? Consultar um endocrinologista e se der tudo certo, comprar os hormônios? Quanto isso + depilação a laser custaria? Moro em uma cidade no interior de SP com cerca de 700 mil habitantes, para contexto. Isso me parece o essencial, porque não tenho como ser passável com sombra da barba e por isso estou muito ansioso para poder fazer essa depilação a laser. O resto do corpo acho que fica decente depilando com creme depilatório e usando lâmina, mas o rosto não tem como, fica mt ruim ):
Considerando tudo isso, o medo que mais me assola: enfrentar isso e não ser passável. Sei que nunca vou ter dinheiro para FFS, provavelmente nem outras cirurgias, pois é caro demais. Só vou poder contar com a genética, hormônios e depilação mesmo. Será que eu me sentiria bem ou iria me enxergar ainda como um homem? O que me conforta um pouco é ver resultados de pessoas que começaram em uma situação muito pior dentro do contexto MtF, tipo que eram gordas, carecas, e mesmo assim, com tempo, se tornaram mulheres bonitas. E só para deixar claro, eu sei que a transição não é uma corrida de quem fica mais passável, o intuito é se sentir bem sendo quem você é de verdade, certo? Mas não vejo como tirar esse medo da cabeça.
E é isso, estou desse jeito desde o final de março, angustiado, sem conseguir me concentrar em nada. Fico muito chateado em ver minha mãe me perguntando porque estou tão desanimado, se eu estou doente porque só fico deitado o dia inteiro, e não posso falar nada porque ainda não tenho coragem, e tomar alguma atitude agora também parece muito difícil por quase da pandemia. Tive dois sonhos com essa situação, um deles foi contando para minha mãe, o outro foi usando meu nome novo, que já havia escolhido há um tempo. Me senti bem mal quando acordei ):
Não acredito que consegui escrever isso, sinto que foi um peso tirado das costas. Desculpe se disse algo insensível ou ofensivo, não foi minha intenção. Desculpe também pelo wall of text e agradeço muito a quem leu até aqui.
TL:DR: O quão viável é começar a transição atualmente pelo SUS? Quanto custaria, em média, se eu fizesse uma consulta particular com endocrinologista e comprasse os hormônios? Quanto custa, em média, sessões de laser e quanto estima-se gastar até retirar todos os pelos possíveis?
Atualmente moro com meus pais, sei que a reação deles seria neutra, não me expulsariam de casa nem nada. Termino a faculdade esse ano. Seria uma má ideia cogitar a transição agora/ano que vem? Eu poderia arrumar um emprego na área enquanto moro com eles para economizar no aluguel, não sei se aguento esperar ganhar suficientemente bem para morar sozinho ):
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2019.10.13 03:37 pripas Eu, prestes a completar 27 anos, voltei a escrever num diário

Tem tempo que eu não escrevia. Na verdade, ultimamente, eu não consigo escrever, ler por por prazer, apreciar as letras como eu sempre fiz.
Se eu vivia na fantasia? A menina que eu inventei pra disfarçar a melequenta que vive dentro de mim está sendo tratada pelo eu que eu quero ser. Tem sido difícil. Ainda mais com a ansiedade.
Eu lembrei de quando eu escrevia diários. Eu escrevia enquanto passava novela, enquanto meu pai bebia, enquanto minha mãe gritava, enquanto eu chorava e, até, enquanto a vida fingia a normalidade de uma família de comercial de margarina recebendo os parentes com dinheiro. Será que, de tanto fingir, eu ainda finjo hoje? Porque, mesmo saindo de lá, eu fingi ser algo que eu não sou e ter bens e qualidades que eu não tenho.
Eu tenho um problema.
Ontem eu lembrei que desde sempre eu gostava de sair: nunca gostei de ficar um dia inteiro presa dentro de casa. Mas eu sempre queria sair pra comprar algo. Por mais medíocre e insignificante que fosse.
Eu precisava.
Eu ainda preciso.
Mas eu não quero mais ser refém da melequenta ou fingir ser um eu melhor. Eu estou em processo de construção. E está difícil.
Talvez escrever ajude, né?
Por isso, querido diário, você voltou a existir. Eu vou voltar a escrever quando eu quiser chorar, quando eu quiser mentir, quando eu quiser fingir e quando eu quiser comprar.
Por favor me ajude
Hoje foi um dia bom mas eu me sinto um lixo. "Eu sou lixo"...mas no toy story era engraçado.
Quantos "eus" eu não escrevi nesses parágrafos?
A vizinha fez comida e o cheiro é ruim. Mas a outra, a que bebe e sobre quem um dia eu possa falar (ou não), não está em casa hoje. O que é ótimo, afinal, eu não quero ter que lidar com lembranças de alguém bêbado as9 da manhã.
Hoje, umas 18 horas, eu fui lavar roupa e a vizinha, a da comida mal cheirosa, estava numa discussão com marido dela, como sempre. O tanque no qual eu lavo as calças jeans fica quase de cara com o vitro do banheiro deles e eu ouvi a gritaria embalada pelo Datena ou algum similar narrando o assassinato de uma mulher cometido pelo seu ex-namorado. Ao final da discussão, o homem foi ao banheiro e eu pude ouvir, mesmo tentando não, ele cagar. Além disso, eu ouvi ele ascender um cigarro e senti o cheiro do fumo saindo do banheiro.
Esse cheiro, muito peculiar, eu realmente conheço.
Meu pai fumava no banheiro. Marlboro vermelho.
No auge da doideira, ele também bebia no banheiro.
As vezes, quando eu ia tomar banho, tinha bituca e uma ou duas latas da cerveja da promoção na cantoneira, ao lado do shampoo e da gilete.
Eu tenho alergia a gilete mas pobre não pode se dar ao luxo de ter alergia. Teve um dia que eu fui raspar a perna e me cortei feio. De sujar uma toalha de banho inteira. Eu estava chorando antes de me cortar. Como eu chorava. Como eu choro.
Se resolvesse, minhas olheiras e meus olhos inchados valeriam algo.
"Quem faz coisa errada não pode chorar" e eu engoli o choro. Eu menti e fiz coisa errada. Eu não tenho o direito de chorar.
Mas eu quero consertar. Muito.
Obrigada por receber essas palavras. Desculpe o desabafo e o desconexo. Desculpe não dar contexto, mas a vida não te dá muito contexto. E eu parto do princípio que você nunca me deixou diário, mesmo quando eu te deixei de lado.
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2019.09.10 04:41 mgramigna4L A Rainha dos Desamparados

Pedro acorda assustado. Ele olha ao redor e não reconhece nenhum elemento que o rodeia. Ele se vê no meio de uma floresta de árvores altas. Olhando para cima é possível ainda notar claridade. Ao horizonte o sol ainda está começando a se por. O chão, coberto de folhas secas, está úmido, como se tivesse chovido mais cedo. Pedro aparenta estar seco, apesar disso. Ele repara que esta deitado, escorado em uma pedra. Ela, e todas ao redor, têm muito lodo em partes de suas superfícies. Ao lado de onde ele se encontra está uma caveira humana.
Ele se reclina e depois agacha próximo a ela. Pedro a fica encarando, analisando cada milímetro daquela caveira, procurando por algum tipo de pista. Ele a olha no lugar onde os olhos deveriam estar, um terrível calafrio sobe a espinha do rapaz. Ele não se lembra de nada, mas uma única imagem, como um frame escondido entre os pensamentos, surge em um lapso de memória. Um eneagrama e uma série numérica, com um algarismo em cada uma de suas nove pontas. 717527202. “O que isso significa?” – Ele se pergunta.
– Me chame de Rainha dos Desamparados e me dê uma coroa de espinhos. – A Caveira falou.
– O que? – Pedro fica estupefato.
A Caveira falou? A Caveira falou. Isso não seria possível. Ele ignora e conclui que deve estar tão cansado que apenas está delirando. Mas por que ele estaria cansado? Ele acabou de acordar em um lugar completamente desconhecido. Ele não se lembra de nada. Pedro acaba de perceber que a única coisa que se lembra é o próprio nome e, novamente, uma única imagem, como um frame escondido entre os pensamentos, surge em um lapso de memória. Um eneagrama e uma série numérica, com um algarismo em cada uma de suas nove pontas. 717527202. Pedro olha para o chão perto de onde estava deitado e há marcas, riscos. Como algum tipo de círculo.
– É a única coisa que sei sobre a minha vida. Do que era antes disso. – Disse a Caveira. – Eu não lembro nem o meu próprio nome. – Aquela voz estranhamente suave e profunda disse com extrema melancolia.
– Pera aí, o que? – Pedro quase pulou de susto dessa vez.
– Você realmente perguntará apenas isso? – Ela respondeu com outra pergunta.
Pedro não sabia o que pensar. Ele havia acordado em um lugar completamente desconhecido e, agora, uma Caveira começou a falar com ele. Não é para as caveiras falarem. Elas são só restos mortais. E apenas uma parte. Tem algo de muito errado acontecendo. Completamente errado. Pedro percebe um cheiro de chuva vindo ao longe. Ele olha para o pouco de céu que consegue enxergar. As nuvens não escurecem, nenhum tipo de sinal. Estranhamente o lusco-fusco parece mais arroxeado que o comum. Ele olha ao horizonte novamente e ele está se pondo mais rápido.
– Certo. Pedro, não é? – A Caveira fala com um certo desdém. – Já que você vai ficar apenas contemplando o ambiente sem se sair do lugar, eu vou te dizer tudo o que precisa saber e você vai fingir que entendeu. Entendeu? – Aquele tom de desdém tinha escalonado em alguns níveis.
Começa a escurecer aceleradamente. Pedro continua olhando para os lados confuso.
– Não, não, não… Ele já está perto. Me pegue e corra para o mais longe possível. – A Caveira disse em um tom de urgência.
– O qu-
– Não pergunte “o que?” de novo, rapaz idiota. Vá. VÁ! – Ela o interrompeu, perdendo a paciência.
Pedro faz o que a Caveira mandou. Por algum motivo ele acha que ela soa como uma pessoa nobre. Ele começa a se questionar quem ela foi em vida. O cheiro de chuva fica cada vez mais forte e próximo, mas ainda sem nenhum sinal de água a cair dos céus. Ele corre o mais rápido que pode, sem olhar para trás. Mas, apesar disso, ele consegue ouvir passos extremamente velozes, quase em ritmo de galope, vindo na sua direção. Talvez um animal muito grande. Mas por que?
O jovem começa a ficar ofegante, a Caveira em seus braços fala algo sobre dimensões de bolso, vítimas, mas ele não consegue ouvir. Ele só quer fugir, mas novamente uma única imagem, como um frame escondido entre os pensamentos, surge em um lapso de memória. Um eneagrama e uma série numérica, com um algarismo em cada uma de suas nove pontas. 717527202. É quando a noite fica completa e uma flecha atravessa o crânio de Pedro. Ele cai no chão, perto de uma chave dourada. A Caveira rola por alguns metros.
– Não, não. De novo não. – A Caveira reclama.
– Eu realmente achei que você conseguiria dessa vez. – Disse o Caçador se aproximando.
– Haha. – Ela riu ironicamente. – Você apenas escolheu mais um inútil porque sabia que ele não seria capaz de nada. – Ela disse em tom de revolta.
O Caçador era uma figura imponente. Ele tinha mais de dois metros de altura, seu queixo era largo, sua pele era branca acinzentada, ele tinha cabelos e barba ruiva, sobrancelhas grossas, traços faciais agressivos e não aparentava ser humano. Várias marcas e algumas cicatrizes eram visíveis, seus olhos emitiam uma luminescência arroxeada, como o céu. Seus trajes aparentavam uma origem greco-romana. Ele não usava armadura, apenas uma toga e uma capa confeccionados rusticamente de pelos avermelhados. Ele tinha um machado guardado nas costas, uma aljava coberta de flechas na coxa direita e um arco em mãos. Montado em um lobo atroz, cujos pelos eram mais escuros que a noite sem luar. Ele se aproxima da Caveira e a pega no chão. Ele sorri.
– Para eu cumprir o meu lado da barganha, você também precisa cumprir o seu. – Disse o caçador.
– Se você me desse, pelo menos, alguma chance. – A Caveira quase implora.
– Na próxima você consegue. – O Caçador diz ainda sorrindo.
Um imenso clarão tomou conta de tudo.

Renato acorda assustado. Ele olha ao redor e não reconhece nenhum elemento que o rodeia. Ele se vê no meio de uma floresta de árvores altas. A primeira coisa que ele nota, depois disso, é a presença de uma Caveira logo ao seu lado. Ele não se lembra de nada, mas uma única imagem, como um frame escondido entre os pensamentos, surge em um lapso de memória. Um eneagrama e uma série numérica, com um algarismo em cada uma de suas nove pontas. 963732819.
Ele ainda não se levantou e permanece completamente imóvel, prendendo a respiração o máximo que consegue. Como se o mínimo suspiro fosse despertar algo. Ele não repara que o sol está se pondo.
– Me chame de Rainha dos Desamparados e me dê uma coroa de espinhos. – A Caveira falou.
– QUE PORRA É ESSA? – Renato se assusta. A Caveira falou? A Caveira falou.
O jovem se levanta bruscamente. Uma flecha atravessa seu crânio e ele cai morto. Já era noite e ele não havia nem notado. O Caçador se aproxima caminhando calmamente, pressiona seu pé direito no pescoço do jovem e retira a flecha do seu crânio.
– Ok, dessa vez eu só estava sendo jocoso. – Disse ele enquanto limpava o sangue na capa. – Da próxima vez você terá uma ótima chance.
Se a Caveira ainda tivesse um rosto estaria com uma expressão de desaprovação nesse momento. Ela sabe que o Caçador nunca te dará uma chance real. Sua vida nunca mais será sua, seu nome nunca mais será seu. A Caveira está condenada a ser apenas isso.
Um imenso clarão tomou conta de tudo.

Rosa acorda. Ela não se lembra de nada. Ela olha ao redor e não reconhece nenhum elemento que o rodeia. Ela se vê no meio de uma floresta de árvores altas. Ela analisa, minuciosamente, os arredores. A Caveira próxima à onde ela acordou chama sua atenção. Ela a pega nas mãos e observa cada mancha e rachadura. Ela olha no lugar onde os olhos deveriam estar e vê algo. Uma única imagem, como um frame escondido entre os pensamentos, surge em um lapso de memória. Um eneagrama e uma série numérica, com um algarismo em cada uma de suas nove pontas. 129293175. A garota não sabe o que aqueles números significam e, na verdade, ela não se importa. Ao olhar para o chão ela nota que o eneagrama já esteve desenhado ali.
– Me chame de Rainha dos Desamparados e me dê uma coroa de espinhos. – A Caveira falou ainda nas mãos dela.
– Pera aí, o que? – Ela questionou.
A Caveira já estava decepcionada, mais uma alma perdida que o Caçador só estava usando para o seu bel prazer e para atormenta-la por mais alguns séculos.
– Rainha dos Desamparados? O que isso significa? E por que uma coroa de espinhos? – Ela questionou genuinamente curiosa.
– Olha, garota-
– Rosa. Meu nome é Rosa. – Ela a interrompeu.
– Rosa. Tudo bem, Rosa. Eu sou a Caveira. Eu te contarei tudo com um imenso prazer, mas apenas se sairmos daqui o mais rápido possível. O sol já vai se por logo e-
– Por que tá com um cheiro de chuva no ar? – Ela a interrompeu novamente com uma pergunta bem pertinente.
– Eu lhe explico no caminho. – A Caveira respondeu em um tom assertivo.
– Ok. – Ela imediatamente concordou.
Ela começa a correr entre as árvores e em direção ao sol. Talvez a Caveira esteja começando a gostar dela e, talvez, dessa vez realmente haja uma chance.
Rosa encontra um possível esconderijo. Um desnível bem embaixo de uma árvore. Não necessariamente um buraco, mas grande o suficiente para cabe-la ali por um tempo.
– Ok, agora você me explica o que tá acontecendo. – Rosa diz ao se sentar. Ela ergue a Caveira em suas mãos à altura dos olhos.
– Bem… Você está sendo caçada. – Ele diz em um tom quase maternalista. – Eu só posso chama-lo de “O Caçador” e ele faz isso por puro entretenimento. Ele me mantém cativa aqui, como uma espécie de isca. Ele é sádico e isso, para ele, é entretenimento.
– Como assim você só “pode” chamar ele de caçador? Ele tem um nome? – Rosa pergunta demonstrando um interesse genuíno.
– Eu estou à mercê dele enquanto permaneço cativa aqui, então tenho que obedecer certas regras impostas por ele. – Ela responde em desalento.
– Quais são essas regras? Onde a gente tá? E por que você tá presa aqui?
– Nós não estamos em lugar nenhum. Aqui não é de onde você é, nem de onde eu sou. É um espaço entre os espaços. Criado pelo Caçador com algum tipo de item mágico ou encantamento, não sei ao certo. – A Caveira começa a explicar. – Como você pode ver, eu morri. Era, ou para eu ter ressuscitado, ou ido para o mundo dos mortos. O Caçador, de alguma forma e por algum motivo, interceptou minha alma e caveira e me aprisionou aqui. É tudo só mais uma parte do jogo dele.
– Eu sinto muito. – Ela diz honestamente.
– Obrigada.
– Então se aqui não é lugar nenhum, aquilo – Rosa diz apontando com uma das mãos – não é o sol.
– Sim e não. É uma forma artificial de iluminação. Um sol que se movimenta enquanto esse lugar onde estamos, se mantém parado. E nesse contexto o Caçador é a lua.
– Por isso a gente precisa sair antes do sol se pôr, o mais rápido possível.
– Exato. – Ela confirma.
– Mas como? – Ela faz outra pergunta certa.
– Bem… Existem chaves espalhadas pela floresta, ela são nossa única oportunidade de sairmos daqui. – A Caveira pausa por uns instantes. – Com vida. – Ele disse cada letra com peso na voz.
– Mas pra onde a gente vai se sair daqui?
– Isso depende. – Ela diz com um certo receio na voz.
– Depende do que, Caveira? – Rosa pergunta com um certo tom de insolência.
– Depende de qual chave você conseguir pegar. – Ela diz com um certo pesar na voz.
Rosa fica visivelmente abalada. Ela não se lembra onde é a sua casa, mas a chance de nunca mais voltar para lá é assustadora. Ela sente uma certa nostalgia de um lugar que não sabe qual é. Ela sente um frio na espinha e uma única imagem, como um frame escondido entre seus pensamentos, surge em um lapso de memória. Um eneagrama e uma série numérica, com um algarismo em cada uma de suas nove pontas. 129293175. Rosa começa a se importar com isso.
– Os números. O que eles significam? – Ela pergunta.
– Você realmente não vai querer saber. – A Caveira diz em um tom de pesar.
Rosa aceita a resposta.
– E aquela coisa do “Rainha dos Desamparados” e “coroa de espinhos”? – Ela questiona, rapidamente mudando de assunto.
– É a única coisa que eu sei sobre a minha vida. Sobre quem eu era antes disso. – A caveira responde em um tom melancólico. – Eu acho que deveríamos ir.– Ok.
Rosa se levanta e ainda com a Caveira em mãos ela começa a se mover agachada. A floresta é densa e não há trilhas. Todo o caminho feito é à esmo. Elas contam com a sorte para encontrar uma chave. A única coisa que Rosa quer é ir embora. Ela tenta não transparecer, mas está com medo. Como nunca esteve antes. Mas, de certa forma, o medo é bom, nesse caso. Ele a deixa alerta. Ela está sendo caçada, mas ela se sente uma caçadora.
Rosa respira fundo, e se dá conta que está apenas fugindo, que é apenas uma presa. Nada daquilo faz sentido, os números não importam, uma caveira fala. E o que diabos é um eneagrama? Ela se perde em meio a esses pensamentos enquanto foge e, bruscamente, para.
– O que foi? – A Caveira pergunta.
– A gente não vai conseguir, não é? – Rosa pergunta em um tom de desesperança.
– Não, claro que vamos. Não é a hora de perder as esperanças, menina. – Ela diz novamente em um tom maternalista. E um cheiro de chuva começa a dominar o ar.
– Quantas pessoas já conseguiram fugir daqui? – Ela pergunta franzindo a testa.
A Caveira não responde.
– Foi o que eu pensei. – Rosa diz soltando a Caveira no chão. – Se alguém tivesse conseguido você não estaria aqui, não é?
A garota começa a andar. Ela vai a um ponto e dá meia volta. Rosa não sabe se aceita o fim inevitável ou se luta, mesmo que tenha mais chances de perder. Estranhamente o lusco-fusco parece mais arroxeado que o comum. Ela olha ao horizonte novamente e o sol está se pondo mais rápido. O cheiro de chuva começa a ficar forte. O sol se põe completamente. Rosa está imóvel. Ela finge que não ouve o forte barulho do Caçador chegando. É como uma trovoada. A Caveira desistiu de inspirar confiança na garota. De repente começa a chover.
– Rosa. ROSA! – A Caveira exclama.
– O QUE FOI? – Ela pergunta revoltada.
– Nunca choveu antes.
– Nunca?
– Nunca.
Rosa se abaixa. Uma flecha passa raspando pela sua cabeça quando ela começa o movimento. A garota pega a Caveira em mãos e começa a correr em zigue-zague. Ela para escorada em uma árvore alguns metros à frente.
– Nunca? – Rosa pergunta clamando por confirmação.
– Nunca.
– Ok. – Com apenas duas letras ela demonstra ter recuperado a confiança.
Ela volta a correr prestando muita atenção em tudo, caso encontre uma chave. Ainda é noite, ainda chove. O chão começa a ficar escorregadio. Elas continuam fugindo e nada da noite passar. A chuva oculta o caçador, a noite quer dizer que ele está perto. Rosa se escorrega e deixa a Caveira cair. Ela rola por alguns metros. Rosa se levanta e olha para trás, ela o vê.
O Caçador montava em um lobo atroz. Rosa nunca havia viso pelos mais escuros de que aqueles do animal. O Caçador era uma figura imponente, ele tinha mais de dois metros de altura. Seu queixo era largo, sua pele era branca acinzentada, ele tinha cabelos e barba ruiva, sobrancelhas grossas, traços faciais agressivos e não aparentava ser humano. Várias marcas e algumas cicatrizes eram visíveis, seus olhos emitiam uma luminescência arroxeada, como o céu. Seus trajes aparentavam uma origem greco-romana. Ele não usava armadura, apenas uma calça e uma toga confeccionados rusticamente de pelos avermelhados. Um machado estava guardado em costas, uma aljava coberta de flechas na coxa direita. Ele pega uma delas e leva ao arco empunhado, mirando na direção de Rosa.
Ela pula no chão e, enquanto ainda se movimentava, uma flecha atravessa sua panturrilha com extrema força. Ela continua alojada em sua carne, é possível que tenha havido uma fratura óssea. Rosa grita de dor, mas resiste. A Caveira chama sua atenção e grita.
– A CHAVE!
Uma chave dourada estava em meio à folhagem e terra úmida, bem próxima a elas. Rosa rasteja para se aproximar. O Caçador se aproxima lentamente, larga o arco no chão e pega o machado. Ela consegue chegar até a chave, mas não até a Caveira.
– O que você está esperando? – A Caveira pergunta em meio ao barulho da chuva.
– Eu não vou sair daqui sem você. – Rosa responde.
A Caveira se sente lisonjeada, mas não consegue conceber tamanha idiotice. Afinal, se apenas uma pessoa conseguir fugir, o Caçador lhe concederá sua vida de volta.
– Garota, não seja idiota e só vá. – A Caveira a repreende. – Eu não preciso disso, eu só preciso que você fuja.
– E como eu faço isso? – Ela pergunta já com a chave em mãos.
– Ninguém nunca chegou tão longe. Agora é com você. – Se a Caveira ainda tivesse um rosto estaria sorrindo de orgulho agora.
Rosa diz um “ok” para si mesma. O Caçador se aproxima, mas a chave começa a brilhar em sua mão. Ela se deita virada para cima, o brilho aumenta exponencialmente. A garota a segura com as duas mãos e à leva ao peito. Rosa fecha os olhos. Ela consegue se lembrar. Ela vê a sua casa bem no meio de Chinatown, em San Francisco. Ela se lembra da agência que trabalhava como programadora. Ela consegue ver a fazendinha de sua abuela, Alba, próxima à cidade de Cabo Rojo, bem na costa sudoeste do território. Ela se lembra dos pais que ficaram em San Juan sem água, sem energia elétrica, quase sem comida após o furacão. Ela se lembra. A luz que chave emana parece densa, parece cegar. Por causa da chuva, Rosa não consegue ouvir o que a Caveira diz a ela.
O Caçador decepa a cabeça de Rosa antes que ela fuja, antes de tudo. Um corte limpo, a cabeça nem ao menos sai do lugar, ele mantém o machado ali. A Caveira tentou alerta-la, mas foi em vão. Tudo foi em vão. O Caçador tira uma chave que estava em uma corrente em seu pescoço e ela começa a brilhar. Ele anda de volta ao lobo e, desta vez, ignora completamente a presença da Caveira.
– Caçador… CAÇADOR! – A Caveira clama e ele se vira.
– Tudo tem seu tempo. – Ele responde.
– O meu nome… Por favor. Pelo menos me diga o meu nome. – Ela, sem forças, suplica.
Ele pega o machado, vira as costas e vai andando na direção do lobo. A cabeça de Rosa rola por alguns metros.
– ÓRION, POR FAVOR, ME DIGA O MEU NOME! – A Caveira o confronta, mas em tom de súplica e meio a falhas na voz e engasgos.
– Você não pode ser o que não pode ser. – Ele fala sem querer dizer muito. – Pelo menos, dessa vez, você terá companhia… – ele sorri – Myriam.
Um imenso clarão tomou conta de tudo.
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2019.07.15 00:58 ederribeiro O curioso caso de você

Oi pessoal! Sou novo aqui no sub. Gosto muito de ler e às vezes escrevo alguma coisa. Comecei a escrever este texto em 2016 e ficou guardado desde então. O encontrei faz pouco tempo e resolvi mexer um pouco e publicar (https://medium.com/@ederrf/o-curioso-caso-de-voc%C3%AA-efbc470ced3d). Apesar de escrever por hobby (e muito raramente) quero evoluir e estou seguro que aprenderei muito por aqui!
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Você abre os olhos. Tudo dói muito. Olha ao redor, está deitado. Não reconhece o quarto nem a cama. Algo se move no canto do olho, há outra pessoa aqui. Com uma voz doce comenta como você dormiu pouco e te pergunta como se sente. Por não saber se a condição de dor é ou não a norma você sinaliza que está tudo bem. Você tem sede, mas não consegue expressar isso. Não há voz. Insiste ao máximo, um máximo que suspeita ser muito pouco. Mergulhado em sede, cansaço e frustração adormece novamente.

Você abre os olhos. Levanta da cama. É uma cama grande, feita para dois, mas ocupada só por um. Vai ao banheiro e lava o rosto. Caminhar demanda um esforço grande, mas você se lembra que era pior quando não conseguia nem sair da cama. Toma café e come uma torrada. Fica com a impressão que comer deveria ser mais prazeroso, talvez um dia seja. Se senta ao lado do telefone, há alguém com a qual lhe agrada conversar. A espera é grande, o telefone não toca, você adormece novamente.

Você abre os olhos. O sofá não é aquele que escolheram juntos, essa não é sua sala. Sai para a rua, há uma padaria próxima. O café é ruim, o que ela faz é melhor. Sente saudades de casa. Saudades do trabalho também. Sem nada para fazer, segue caminhando após o café. Para para descansar em uma praça. A perna dói um pouco. Deveria ver um médico sobre isso, mas não hoje. Tira uma garrafa de metal do paletó e vira um pouco da bebida na garganta. Se embriaga e dorme no banco da praça.

Você abre os olhos. A vê sentada na cama ao seu lado. Ela fita a janela, não há nada lá. A presença dela te incomoda, mas a ela você incomoda muito mais. Bebe um suco e come um biscoito como café da manhã. Tem saudades do café que ela já não te faz mais. Sai para trabalhar. A aposentadoria está próxima e você não vê a hora. O trabalho não te traz prazer algum e você também não traz benefício algum para a empresa, mas ainda assim sai tarde do trabalho. Chegar cedo em casa deixa mais tempo para discussões, é melhor ir ao bar. O plano é só chegar em casa depois que ela estiver dormindo. Você chegará e dormirá também. Dormirá em sua cama e não naquele sofá desconhecido.

Você abre os olhos. Vira na cama e espera ela acordar. Um “bom dia”, um beijo e um “eu te amo”. É assim que você faz com que o dia dela comece. Brigas acontecem, mas não é assim com todo casal? Começar bem o dia é o que importa. Nada pode nos separar. Depois do café é hora de ir para o trabalho. Reuniões. Relatórios. Conferências. E-mails. Fim do dia, hora de voltar para casa. Sua filha te liga para avisar que melhorou da gripe e que o marido dela foi promovido. Você pensa no neto que ainda não tem, mas prefere não tocar novamente nesse assunto agora. Depois do delicioso jantar vem o sono. Hoje foi um bom dia.

Você abre os olhos. Dormiu pouco. Sua filha saiu para uma festa e só chegou tarde da madrugada. Não há como dormir sem saber que ela está de volta em casa e em segurança. Por mais que sua esposa não deixe de comentar que seu futuro genro é um rapaz responsável, ninguém protege melhor uma filha que um pai. Sua única filha é seu maior tesouro. É sua maior razão de viver. É um amor que quatro letras fazem pouco para representar. E era ela que estava com você no fim.

Você abre os olhos. Foi só um cochilo. Uma mulher não fica grávida sozinha, o pai, se presente, também está grávido. O tempo parece passar mais rápido agora. O casamento foi há pouco tempo e agora falta pouco para que a família se concretize. É menina, vocês já sabem. Às vezes, quando dorme, você sonha. Sonha com a escuridão. Uma escuridão constante e longa, calma e angustiante. A consciência do nada é o que há de pior para se encarar. Quando acorda desses sonhos em geral se lembra de algo que ouviu “o que vem antes do início não é diferente do que vem depois do fim”. Alguém te contou isso. Em um sonho ou fora de um.

Você abre os olhos. Está de ressaca. Fica feliz de perceber como tudo é melhor agora. Come o que quiser, bebe o quanto quiser, o corpo aguenta tudo. Nem sempre foi assim. Por outro lado os amigos de agora são o mais “para sempre” que jamais foram. Eles são hoje mais do que foram antes. Por que nos separamos tanto? Se precisasse de um sofá para dormir hoje teria dez à sua disposição e não apenas um. Carpe diem. O que importa é o agora. Hoje dormirá tarde, ou nem dormirá, a noite não acaba quando se tem amigos.

Você abre os olhos. Sempre acorda bem. Você acha justa a troca das responsabilidades do passado pela inconsequência do agora. Seus pais pegam no seu pé, mas você compreende. Sabe o que é ser um pai. O que é preocupar com um filho. As reflexões de antes são diferentes de agora. Hoje, pela última vez, você viu aquela que foi sua esposa. Você compreende que o tempo passa diferente, que sua ampulheta está mais para lá do que para cá, mas não sente medo.

Você abre os olhos. O mundo parece maior que antes. A cada dia ele cresce mais e você fica menor. Menor e mais leve. As emoções de agora são mais simples. Sua missão está cumprida, seu tempo está acabando e você está em paz com isso. Criança e velho num mesmo corpo. Cada volta do relógio traz a escuridão mais para perto. A concepção está próxima e depois dela você virará imaginação, sonho e desejo. E depois isso também acaba. Escuridão é o que restará, você será parte dela. Assim como é antes do início e será depois do fim.
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2019.06.20 03:25 euamocachorros79 É Brasil

Acorda e lá fora está escuro. Os galos da vizinhança ainda não cantaram, o som mais próximo perceptível, baixo ainda, é a confusão amalgamada das estações de música sertaneja e notícias daqueles que acordaram mais cedo. Desliga o alarme do despertador mas o de dentro da cabeça ainda ecoa, a mulher nega o beijo, novamente, e negará até ele tratar de desfazer o mau hálito matinal. Passa o café no coador de pano enquanto esfrega os olhos, catando remelas. Mais uma vez não tem pão. As crianças provavelmente estavam com mais fome ontem à noite. O café preto aliado ao pensar nas crianças o deixa mais alerta. A maior já está precisando de roupa nova, quase não cabe no vestido de chita que a mulher costurou no curso do sindicato. Sorri ao pensar nos dois meninos, ainda moleques e arteiros mas que agora dormem à espera de um novo dia na escola. Lembra que ainda não escovou os dentes e precisa correr para não se atrasar após a higiene.
A gente quer valer o nosso amor.
Ônibus, duas conduções. Baldeação. A camiseta pinica. Hoje está quente. A marmita com arroz, feijão e farofa, sacoleja na mochila. A indicação do primo é certeira. A construção está nas fundações, trabalho pra mais de ano, talvez dois, com sorte, três. Não pode deixar passar a oportunidade. Foi o presidente quem falou, com sotaque carregado igual ao seu. Homem correto, quer matar os corruptos. Talvez assim as coisas melhorem no país. Se pudesse, mataria também, mas pra isso já tem a polícia e os bandidos. Melhor sujar as mãos com argamassa do que com sangue.
- João da Silva, sim senhor. Eu vim por causa da vaga de servente. Preciso do trabalho, sim senhor. Não tenho documento não, sempre trabalhei por conta, sabe? E paga quanto? É justo, sim senhor.
Antecipa a felicidade da mulher e das crianças ao saber que o pagamento será semanal. Começa amanhã. Na volta para casa, carrega uniforme, botina e EPI que ganhou. O capataz falou que ali todo mundo usa, quem for pego sem, nem precisa voltar no dia seguinte. E sem direito a nada. João sabe que todo capataz fala isso, mas ninguém fiscaliza, ainda mais em obra grande, onde o que importa é fazer o serviço direito e não aparecer bêbado.
-Sim senhor.
A gente quer valer nosso suor.
As crianças chegam juntas em casa, depois da aula, um pouco antes do dia começar a trilhar o caminho entre as cores vivas e o preto. Pede para a filha mais velha ajudar com o banho e o lanche dos menores. Ao chegarem na cozinha, percebem que hoje tem banana, pão, margarina, queijo e até mortadela. A filha sorri orgulhosa para o pai herói. Os meninos comem até arrotar. Todos riem da balbúrdia.
A mãe chega exausta, dia puxado nas faxinas, de manhã num apartamento, à tarde numa casa. A dona do apartamento não pagou, diz que semana que vem acerta. Pelo menos, permitiu que ela almoçasse o que sobrara da refeição. O dono da casa não comprou os panos e material de limpeza corretos. Homem nunca faz as coisas direito. Ela só quer descansar ao chegar em casa, mas ainda tem que lidar com a algazarra que vem da cozinha. O coração quase explode ao saber que o marido conseguiu o trabalho. Beija-o sem se importar com a halitose.
A gente quer valer o nosso humor.
No dia seguinte, Janete só espera a saída de João para reabrir a conta no mercado da esquina. Abastece a despensa com óleo, vinagre, sardinha em lata, macarrão, biscoitos, feijão, arroz, sal e açúcar. Guarda tudo e torce para que o marido, dessa vez, seja honrado, homem com agá maiúsculo, que cuide dela e da prole. Pela manhã, coloca-se a arrumar e limpar a casa, no intuito de esperar o marido com carne na panela para o jantar. À tarde, trabalha com o coração cheio de esperanças. Quem sabe não poderiam comprar uma máquina de lavar roupas, uma televisão para assistir à novela e entreter os meninos, quiçá uma casa, para livrarem-se do aluguel. Janete mostra os dentes alvos ao esfregar a louça dos banheiros e ao passar o pano no chão de porcelanato. Seu humor não poderia ser perturbado nem mesmo pelos tarados que insistem em se aproximar por trás, no trem, na ânsia de sentir suas nádegas. Os cotovelos duros e pontiagudos a protegem.
A gente quer do bom e do melhor.
João nunca soube ler. Aprendeu a fazer contas depois que lhe ensinaram o poder do dinheiro. Ouviu na rua, de um amigo, que com dinheiro se comprava mulher, carro, casa, comida. Intrigado pelo cheiro doce que emanava das meninas e pelas promessas de barriga cheia, procurou arranjar grana o quanto antes. Tentou roubar, mas sentiu culpa. Tentou o comércio mas não sabia vender, nem se expressar de um jeito bonito ou interessante. Até que viu um pedreiro erguendo uma parede. Uma pena ninguém ter ensinado a fazer dinheiro de outro jeito que não através do trabalho. Mas as coisas são o que são.
Trabalhava tanto quanto o corpo deixava. O esforço o transformou num jovem adulto vigoroso e começou a atrair olhares longos das meninas da vizinhança. Não demorou muito para se apaixonar por Janete. O sexo era bom e praticamente o único bálsamo numa vida destinada à dor e ao trabalho. Isso aliado à ignorância acerca de métodos contraceptivos, ele sempre tentava tirar antes de gozar, resultara em três crianças, muito amadas, mas que também precisavam ser cuidadas.
A gente quer carinho e atenção.
As primeiras semanas são de muita labuta e também de grandes mudanças na família Silva. João traz o pagamento inteiro e, sem retirar uma nota, entrega-o à esposa. Mariele, a filha mais velha, exibe um traje novo, de sair aos domingos, que consiste em uma calça justa e uma blusa leve de algodão. Ronaldo e Washington ganham uma bola de futebol de couro, raridade entre a turma do bairro. Aos sábados, João bebe cerveja por somente duas horas, enquanto ouve no rádio seu time disputar a segunda divisão nacional. Janete brilha por dentro ao mostrar para as vizinhas e amigas o fogareiro novo, adquirido em dez prestações, onde prepara o cardápio de casa e as marmitas de João.
Pela primeira vez em meses, não precisam do seguro-desemprego de Janete para fechar as contas. O casal sai para dançar aos domingos, na gafieira, e até as crianças, melhor nutridas, aprendem mais e aumentam as notas. A casa onde moram ganha contornos de lar.
A gente quer calor no coração.
Se antes, quando mal podia segurar as calças para que os fundilhos não ficassem expostos, João era alvo da lascívia das vizinhas, agora então é que recebe piadinhas e indiretas sobre comer fora de casa. Mas Janete é sábia nas lidas do prazer e o trata como um rei, com tanto carinho e cuidado na hora de amar, que ele nem imagina estar entre os lençóis com outra mulher. Não, Janete conhece seus pontos de pressão, onde deve tocar e com qual parte do corpo, para que João retorça os dedos dos pés. Quando satisfeito, se entrega a chupar com gosto os seios de Janete, enquanto passeia com os dedos pelo corpo teso da esposa. Dedicado que é, só para quando a mulher não consegue abafar os gritos de delírio.
A gente quer suar mas de prazer.
Faltando pouco menos de um ano para as eleições gerais, estoura um escândalo de superfaturamento de obras, envolvendo empreiteiras e o governo federal. João ouve apreensivo as notícias mencionarem o nome da empresa para qual presta serviços. Na manhã seguinte, refaz o trajeto que nos últimos três anos garantiu o sustento à família. Ao caminhar as poucas quadras que separam a parada do ônibus e o local de trabalho, sente uma agonia inexplicável no peito. A agonia deixa de incomodá-lo para ceder lugar à tristeza ao ver os portões da obra trancados. Um cartaz afixado à lateral da entrada explica, em letras miúdas, a intervenção da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Tribunal de Contas da União. Mas João não sabe ler.
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
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2019.06.19 20:22 euamocachorros79 [DQ] É Brasil

Acorda e lá fora está escuro. Os galos da vizinhança ainda não cantaram, o som mais próximo perceptível, baixo ainda, é a confusão amalgamada das estações de música sertaneja e notícias daqueles que acordaram mais cedo. Desliga o alarme do despertador mas o de dentro da cabeça ainda ecoa, a mulher nega o beijo, novamente, e negará até ele tratar de desfazer o mau hálito matinal. Passa o café no coador de pano enquanto esfrega os olhos, catando remelas. Mais uma vez não tem pão. As crianças provavelmente estavam com mais fome ontem à noite. O café preto aliado ao pensar nas crianças o deixa mais alerta. A maior já está precisando de roupa nova, quase não cabe no vestido de chita que a mulher costurou no curso do sindicato. Sorri ao pensar nos dois meninos, ainda moleques e arteiros mas que agora dormem à espera de um novo dia na escola. Lembra que ainda não escovou os dentes e precisa correr para não se atrasar após a higiene.
A gente quer valer o nosso amor.
Ônibus, duas conduções. Baldeação. A camiseta pinica. Hoje está quente. A marmita com arroz, feijão e farofa, sacoleja na mochila. A indicação do primo é certeira. A construção está nas fundações, trabalho pra mais de ano, talvez dois, com sorte, três. Não pode deixar passar a oportunidade. Foi o presidente quem falou, com sotaque carregado igual ao seu. Homem correto, quer matar os corruptos. Talvez assim as coisas melhorem no país. Se pudesse, mataria também, mas pra isso já tem a polícia e os bandidos. Melhor sujar as mãos com argamassa do que com sangue.
- João da Silva, sim senhor. Eu vim por causa da vaga de servente. Preciso do trabalho, sim senhor. Não tenho documento não, sempre trabalhei por conta, sabe? E paga quanto? É justo, sim senhor.
Antecipa a felicidade da mulher e das crianças ao saber que o pagamento será semanal. Começa amanhã. Na volta para casa, carrega uniforme, botina e EPI que ganhou. O capataz falou que ali todo mundo usa, quem for pego sem, nem precisa voltar no dia seguinte. E sem direito a nada. João sabe que todo capataz fala isso, mas ninguém fiscaliza, ainda mais em obra grande, onde o que importa é fazer o serviço direito e não aparecer bêbado.
-Sim senhor.
A gente quer valer nosso suor.
As crianças chegam juntas em casa, depois da aula, um pouco antes do dia começar a trilhar o caminho entre as cores vivas e o preto. Pede para a filha mais velha ajudar com o banho e o lanche dos menores. Ao chegarem na cozinha, percebem que hoje tem banana, pão, margarina, queijo e até mortadela. A filha sorri orgulhosa para o pai herói. Os meninos comem até arrotar. Todos riem da balbúrdia.
A mãe chega exausta, dia puxado nas faxinas, de manhã num apartamento, à tarde numa casa. A dona do apartamento não pagou, diz que semana que vem acerta. Pelo menos, permitiu que ela almoçasse o que sobrara da refeição. O dono da casa não comprou os panos e material de limpeza corretos. Homem nunca faz as coisas direito. Ela só quer descansar ao chegar em casa, mas ainda tem que lidar com a algazarra que vem da cozinha. O coração quase explode ao saber que o marido conseguiu o trabalho. Beija-o sem se importar com a halitose.
A gente quer valer o nosso humor.
No dia seguinte, Janete só espera a saída de João para reabrir a conta no mercado da esquina. Abastece a despensa com óleo, vinagre, sardinha em lata, macarrão, biscoitos, feijão, arroz, sal e açúcar. Guarda tudo e torce para que o marido, dessa vez, seja honrado, homem com agá maiúsculo, que cuide dela e da prole. Pela manhã, coloca-se a arrumar e limpar a casa, no intuito de esperar o marido com carne na panela para o jantar. À tarde, trabalha com o coração cheio de esperanças. Quem sabe não poderiam comprar uma máquina de lavar roupas, uma televisão para assistir à novela e entreter os meninos, quiçá uma casa, para livrarem-se do aluguel. Janete mostra os dentes alvos ao esfregar a louça dos banheiros e ao passar o pano no chão de porcelanato. Seu humor não poderia ser perturbado nem mesmo pelos tarados que insistem em se aproximar por trás, no trem, na ânsia de sentir suas nádegas. Os cotovelos duros e pontiagudos a protegem.
A gente quer do bom e do melhor.
João nunca soube ler. Aprendeu a fazer contas depois que lhe ensinaram o poder do dinheiro. Ouviu na rua, de um amigo, que com dinheiro se comprava mulher, carro, casa, comida. Intrigado pelo cheiro doce que emanava das meninas e pelas promessas de barriga cheia, procurou arranjar grana o quanto antes. Tentou roubar, mas sentiu culpa. Tentou o comércio mas não sabia vender, nem se expressar de um jeito bonito ou interessante. Até que viu um pedreiro erguendo uma parede. Uma pena ninguém ter ensinado a fazer dinheiro de outro jeito que não através do trabalho. Mas as coisas são o que são.
Trabalhava tanto quanto o corpo deixava. O esforço o transformou num jovem adulto vigoroso e começou a atrair olhares longos das meninas da vizinhança. Não demorou muito para se apaixonar por Janete. O sexo era bom e praticamente o único bálsamo numa vida destinada à dor e ao trabalho. Isso aliado à ignorância acerca de métodos contraceptivos, ele sempre tentava tirar antes de gozar, resultara em três crianças, muito amadas, mas que também precisavam ser cuidadas.
A gente quer carinho e atenção.
As primeiras semanas são de muita labuta e também de grandes mudanças na família Silva. João traz o pagamento inteiro e, sem retirar uma nota, entrega-o à esposa. Mariele, a filha mais velha, exibe um traje novo, de sair aos domingos, que consiste em uma calça justa e uma blusa leve de algodão. Ronaldo e Washington ganham uma bola de futebol de couro, raridade entre a turma do bairro. Aos sábados, João bebe cerveja por somente duas horas, enquanto ouve no rádio seu time disputar a segunda divisão nacional. Janete brilha por dentro ao mostrar para as vizinhas e amigas o fogareiro novo, adquirido em dez prestações, onde prepara o cardápio de casa e as marmitas de João.
Pela primeira vez em meses, não precisam do seguro-desemprego de Janete para fechar as contas. O casal sai para dançar aos domingos, na gafieira, e até as crianças, melhor nutridas, aprendem mais e aumentam as notas. A casa onde moram ganha contornos de lar.
A gente quer calor no coração.
Se antes, quando mal podia segurar as calças para que os fundilhos não ficassem expostos, João era alvo da lascívia das vizinhas, agora então é que recebe piadinhas e indiretas sobre comer fora de casa. Mas Janete é sábia nas lidas do prazer e o trata como um rei, com tanto carinho e cuidado na hora de amar, que ele nem imagina estar entre os lençóis com outra mulher. Não, Janete conhece seus pontos de pressão, onde deve tocar e com qual parte do corpo, para que João retorça os dedos dos pés. Quando satisfeito, se entrega a chupar com gosto os seios de Janete, enquanto passeia com os dedos pelo corpo teso da esposa. Dedicado que é, só para quando a mulher não consegue abafar os gritos de delírio.
A gente quer suar mas de prazer.
Faltando pouco menos de um ano para as eleições gerais, estoura um escândalo de superfaturamento de obras, envolvendo empreiteiras e o governo federal. João ouve apreensivo as notícias mencionarem o nome da empresa para qual presta serviços. Na manhã seguinte, refaz o trajeto que nos últimos três anos garantiu o sustento à família. Ao caminhar as poucas quadras que separam a parada do ônibus e o local de trabalho, sente uma agonia inexplicável no peito. A agonia deixa de incomodá-lo para ceder lugar à tristeza ao ver os portões da obra trancados. Um cartaz afixado à lateral da entrada explica, em letras miúdas, a intervenção da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Tribunal de Contas da União. Mas João não sabe ler.
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
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2014.02.01 00:58 50_Shades_of_Gandalf wow so edgy much anger

Sais do trabalho uma hora depois do suposto porque o esforço que te foi imposto foi mal gerido, tendo-te sobrecarregado as horas seguintes ao almoço em que a tua barriga, grávida de hidratos baratos e de alguma água suja açucarada que saiu de uma máquina que prometia servir cafés, reclama por nutrientes apropriados ao devido funcionamento do teu corpo. Estás agora parado no trânsito. O lobo frontal do teu cérebro sente-se insultado pela falta de uso e desliga-se, deixando-te de boca entreaberta enquanto ouves uma música que parece ter sido especialmente engenhada para não te fazer sentir qualquer emoção. Dás por ti a cantarolar “I should have brought you flowers…” Odeias-te por conhecer toda a letra de uma faixa que não te diz coisa alguma. O locutor ri-se como que gozando da tua indecisão entre mudar de estação de rádio e passar à música de merda seguinte, ou desligar o aparelho e apreciar a cacofonia dos motores que te rodeiam, marcada pelas buzinas intermitentes e pelas menos frequentes caralhadas frustradas para ninguém em especial. Sabes já como manter a tua sanidade – evitar olhar para o relógio e celebrar para ti mesmo sempre que consegues ganhar velocidade suficiente para meter a terceira mudança. Desligas finalmente o rádio, como sempre acabas por fazer, e juras, em vão, que amanhã será o dia em que trarás um audiobook com algo interessante para aprenderes durante este tédio rotineiro. Irás lembrar-te mais tarde, já em casa, dessa promessa, a meio da tua sessão de masturbação digital, o que te levará a adiares a tarefa para o dia seguinte, porque a glande do teu pénis tomou, entretanto, o lugar do teu lobo frontal.
Ainda tens de passar no supermercado para comprar leite para poderes ter um pequeno-almoço decente amanhã. Tens o Jumbo, o Minipreço, o Pingo Doce, o Lidl, e o Continente. Aprecias a ilusão de livre-arbítrio. Escolhes o Minipreço porque tens um talão que te dá um desconto de seis cêntimos por pacote de leite. Nem é o supermercado que fica mais perto, mas estás demasiado cansado para pensar nisso. Colocas o talão numa ranhura do tablier do carro, porque não tens nada melhor para fazer. O BMW atrás de ti buzina-te. Parece que não avançaste os três metros que, entretanto, a fila avançou à tua frente. Encurtas a distância enquanto pensas em todos os insultos apropriados àquele sacana e à sua mãe. Estás numa subida, e o gajo parece ansioso por dar um beijo à tua matrícula traseira, nunca parando a menos de um tímido par de centímetros e levando-te a puxar o travão de mão a cada paragem.
Páras. Puxas o travão de mão. Soltas o travão de mão enquanto tentas fazer ponto de embraiagem e rezas para que o carro não deslize demasiado para trás a todos os santos que estás a inventar por necessidade — este percurso, todos os dias, há muito te converteu ao ateísmo. Avanças alguns metros com a ténue esperança de que será desta que o trânsito fluirá, mas não. Páras e puxas o travão de mão novamente. Limpas o suor da cara. Olhas para trás. O homem do BMW está a falar ao telemóvel.
Vês um espaço seguro na faixa à tua esquerda, que está a avançar mais rápido do que aquela em que tu estás. Ligas o pisca e o condutor na tua diagonal está relaxado o suficiente para te deixar colocar à sua frente sem questionar a decisão do examinador que te declarou como um condutor competente, o que é a maior demonstração de solidariedade humana que viste durante o dia todo.
O horizonte tapa já metade do sol quando chegas ao estacionamento do supermercado que está repleto de veículos cujos donos aparentam ter uma inabilidade em compreender os rectângulos formados por linhas brancas no chão, o que te leva a procurar espaço para o teu carro na inevitável zona de terra batida, no canto mais longínquo onde cheira a urina e outras águas tépidas cujas fontes tu preferes não saber.
Entras no estabelecimento e recebes uma literal lufada de ar fresco que te sabe bem durante os primeiros segundos. Infelizmente, porque o aparelho de ar condicionado provavelmente nunca foi limpo desde que foi colocado à entrada para fazer com que as pessoas confundam o supermercado com um lugar agradável para se visitar, os teus brônquios entram em modo paranóico e incham de maneira a não permitir a passagem dos temíveis microorganismos que, por acaso, tenham ameaçado entrar no teu sistema respiratório. Tiras o inalador do bolso e alivias a tua asma enquanto tentas ignorar o olhar coscuvilheiro das duas ou três velhotas que nunca viram um inalador na vida e que provavelmente pensarão que estás a ingerir droga, o que não seria assim tão mau não fossem os membros daquela faixa etária acharem que a “droga” é uma substância única criada pelo demónio, cujos efeitos são a combinação dos indesejáveis entre a heroína, cocaína, ketamina e metanfetaminas. Nunca param para se perguntar porque raio é que esta substância perigosíssima é tão popular entre a juventude se todos os drogados parecem acabar em valetas com as caras desfiguradas e corpos dignos do Holocausto, após terem prostituído o último dos seus orifícios para obter o dinheiro suficiente para a próxima dose. A percepção em grupo é uma terrível maldição. Nessas idades avançadas, contudo, é apenas triste.
“Tem um minuto para eu lhe falar de…”
“Não, obrigado.”
“Mas temos algumas vantagens que lhe poderiam…”
“Não, obrigado.”
Ignoras todos os vendedores que te abordam em direcção à ala do leite, que está colocado no canto oposto ao da saída para obrigar pessoas como tu a passarem por todas as coisas que não querem mas que o supermercado espera que venham a querer por impulso. Evitas estabelecer contacto visual, mas estas pessoas parecem ter sido Testemunhas de Jeová em vidas passadas e não conseguem interpretar que não tens qualquer interesse no que eles queiram oferecer. Isso porque sabes bem que, por muito paleio que elas tenham, não seriam pagas se não fosse o supermercado que ganhasse no final de contas, e tu odeias supermercados. Odeias a forma como os empregados das caixas te tratam bem apenas porque o supervisor pode estar a fazer a sua ronda. Odeias a forma como os mosaicos no chão mudam para padrões mais detalhados nas alas dos produtos mais caros, obrigando-te a andar mais devagar para não fazeres tanto barulho com o carro. Odeias a forma como estão a tentar substituir as caixas tradicionais por caixas automáticas de maneira a poderem despedir mais empregados enquanto te asseguram que é para “sua comodidade.” Acima de tudo, odeias a forma como são tão necessários.
Pegas num pack de seis pacotes de leite, que é tudo o que precisas. Procuras uma das caixas tradicionais, porque as filas para as automáticas são ironicamente maiores. Uma massa de faces cinzentas olha com desinteresse para todo o lado e para lado nenhum, como um grupo de galinhas sedadas. Escolhes a fila menor mas acabas por mudar quando reparas que é a caixa prioritária para as grávidas, idosos e deficientes. Tentas desesperadamente manter a tua mente activa. Consideras o que aconteceria se chegasse uma grávida, um idoso e um deficiente ao mesmo tempo. Consideras se uma deficiente grávida teria prioridade sobre qualquer outro. E então sentes um impacto na tua rectaguarda e o teu pack de seis pacotes de leite cai ao chão, e duas latas de polpa de tomate deslizam cada uma para o seu lado. Atrás de ti está uma rapariga com não mais de dez anos e sem os dentes da frente. “Desculpe, senhor,” diz, antes de sair a correr pelo meio de uma selva de pernas atrás de uma das latas que se dirigia para debaixo de uma prateleira. Apanhas a outra lata e apanhas o pack dos seis pacotes de leite. Dás a lata à menina, que te devolve um sorriso com mais gengiva que dente, e dirige-se para perto de quem assumes ser a sua mãe.
E então reparas que as caras não são mais cinzentas. Cada uma destas pessoas estão tão condenadas como tu a terem vidas miseráveis dentro de uma sociedade miserável que não permite felicidade absoluta sob risco de colocar em causa toda uma economia baseada na crença das suas vítimas em serem melhores do que as outras vítimas. Uma geração de homens e mulheres que têm medo de perder os móveis e os carros e os telemóveis e as roupas e os sapatos e toda a tralha vazia que, apesar de tudo o que se vêem obrigados a passar, foram conseguindo acumular. Cada uma destas pessoas irá para casa exausta e ligará a televisão e observará o triatlo do noticiário de guerras, doenças e mortes de sempre e concluirá que nem está assim tão mal. Os intervalos regulares para a publicidade fazem com que o seu limite de concentração não seja superior a vinte minutos, de maneira a que não consigam articular pensamentos complexos e perigosos. Depois verá um qualquer reality show que terá tanto de realidade como as mamas da brasileira que de certeza lá estará apenas para causar polémica, e sentir-se-á superior àquela gente que até aparece na televisão e tudo. Pessoal como aquele filho da puta do BMW sai beneficiado, sim, mas até ele fica preso no trânsito. É impossível. É um bravo novo mundo em que se deve ser feliz porque pelo menos não se é o mais infeliz de todos.
Este homem à tua frente está a demorar imenso tempo a retirar as garrafas de vinho do carro uma a uma. A sua cara é pálida e ele irrita-te. Lembras-te de teres pensado em algo, mas não do conteúdo em si. Encolhes os ombros, enquanto consciencializas que não seria algo de especial. As caras à tua volta são cinzentas, sem expressão, assim como a tua. Esperas poder chegar a casa, atirar qualquer coisa para o teu microondas Samsung e poder adormecer no teu sofá IKEA, iluminado pela luz do teu portátil HP, e sonhar com o fim de semana, quando poderás sair à noite com o intuito de partilhar fotos de bebedeira no Facebook, para demonstrar o social e feliz que tu és, assim como qualquer outro cidadão normal.
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